Recuo da Petrobras na alta da gasolina gera ruído e desconfiança no mercado, dizem analistas

O recuo da Petrobras no aumento do preço da gasolina gerou desconfiança no mercado financeiro, que teme interferência do governo federal na política de preços da estatal às vésperas das eleições de 2026.

A empresa anunciou o reajuste na quarta-feira (9), mas voltou atrás cerca de quatro horas depois, sem apresentar uma explicação detalhada. Analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA avaliaram que a decisão pode afetar a credibilidade e levantar dúvidas sobre a independência da Petrobras.

A mudança ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar o aumento do subsídio à gasolina, de R$ 0,44 para R$ 0,63 por litro. Os R$ 0,19 adicionais seriam inicialmente compensados com aumento nas refinarias, mas a Petrobras recuou e o valor passou a ser absorvido por distribuidoras, com expectativa de impacto menor ao consumidor.

O mercado esperava um reajuste porque a gasolina da Petrobras está abaixo da paridade internacional. Na sexta-feira (11), a defasagem era estimada em R$ 0,97 por litro pela Abicom e em R$ 1,08 pelo Itaú.

A decisão também aumentou a preocupação em relação ao diesel. O governo já concede subsídio de R$ 1,12 por litro e anunciou uma verba adicional de até R$ 1, ainda sem regulamentação. Analistas avaliam que novos aumentos do petróleo podem ampliar a pressão sobre a política de preços da estatal.

Com informações da Folha de S.Paulo

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