Os principais elementos usados pela Polícia Federal para pedir a abertura de inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), foram as trocas de mensagens, viagens pagas e movimentações financeiras envolvendo a lobista Roberta Luchsinger.
As investigações foram abertas a partir de elementos encontrados durante a Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Os casos estão sob responsabilidade dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Roberta, amiga de Lulinha, é investigada por atuar em negócios de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Até o momento, os inquéritos divulgados tratam de tentativas de contratos com o Ministério da Saúde e a Dataprev. Segundo a investigação, nenhum dos negócios chegou a ser fechado pelo governo federal.
A PF também suspeita que Roberta mantinha uma sociedade informal com Lulinha e o empresário Fernando Bittar. Mensagens apreendidas indicariam que os três discutiam negócios e possíveis contratos com órgãos públicos.
Em uma das conversas, Roberta afirma que ela, Fábio e “Fefe” seriam “uma coisa só” e que os valores de um possível contrato seriam divididos entre os três. A PF interpreta que “Fábio” seria Lulinha e “Fefe”, Fernando Bittar.
Outras mensagens mostram Lulinha tratando de encontros e negociações envolvendo representantes do governo. Segundo a PF, Roberta também teria pago mais de R$ 200 mil em despesas pessoais de Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, em 2024.
As viagens de Lulinha também são alvo da investigação. Ele teria viajado para a Europa em 2024 com despesas pagas por Antônio Camilo Antunes, que tinha interesses comerciais no Ministério da Saúde. Outras viagens teriam sido custeadas por Roberta.
A PF investiga ainda um pagamento de R$ 300 mil feito por ordem de Antunes a uma empresa ligada a Roberta. Os investigadores suspeitam que a expressão “filho do rapaz”, usada por Antunes em uma mensagem, seja uma referência a Lulinha.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que não há provas de desvio de dinheiro público ou de participação dele em crimes. Os advogados também questionam a autenticidade e a cadeia de custódia das mensagens obtidas pela PF.
As defesas de Roberta Luchsinger e Antônio Camilo Antunes não se manifestaram. A defesa de Fernando Bittar não foi localizada.
Com informações da Folha de S.Paulo



