Michelle reforça articulação com evangélicos e amplia apoio à campanha de Flávio Bolsonaro

Foto: Brenno Carvalho

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a intensificar a articulação com lideranças evangélicas em apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). Após a reaproximação entre os dois, Michelle tem utilizado compromissos próprios para pedir votos ao enteado e aproximá-lo de representantes de importantes denominações religiosas.

Segundo informações publicadas pelo jornal O GLOBO, a estratégia também envolve conversas nos bastidores. Diego Torres, irmão de Michelle e coordenador de sua campanha ao Senado, atua como um dos principais canais entre a ex-primeira-dama e a equipe de Flávio, repassando ao grupo presidencial informações sobre agendas e contatos realizados por ela.

Entre as instituições envolvidas na articulação estão a Igreja Presbiteriana de Brasília, Sara Nossa Terra, Assembleia de Deus Missão, Assembleia de Deus Madureira, Comunidade das Nações e Igreja Universal do Reino de Deus. Michelle mantém proximidade com lideranças como Robson Rodovalho, Renato Cardoso, Abner Ferreira e JB Carvalho.

A movimentação ganhou força depois de um período de desgaste na relação entre Michelle e Flávio durante a pré-campanha. Agora, a ex-primeira-dama passou a exercer um papel mais ativo, colocando à disposição do candidato uma rede de contatos construída ao longo de anos de atuação junto ao público evangélico.

Estratégia mira eleitorado considerado estratégico

O movimento ocorre em um segmento considerado relevante para a disputa presidencial. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de agosto mostra Flávio Bolsonaro com 43% das intenções de voto entre eleitores evangélicos, enquanto Lula aparece com 24% nesse recorte. No cenário de segundo turno analisado pelo levantamento, Flávio registra 53%, contra 28% de Lula.

Michelle também tem participado diretamente das agendas políticas. Em um evento realizado nesta semana no Entorno do Distrito Federal, ela voltou a pedir votos para Flávio, além de participar de momentos de descontração ao som do jingle da campanha e fazer uma oração pelo candidato.

Apesar da aproximação, não há previsão de uma agenda conjunta entre Michelle e Flávio para os próximos dias. Aliados afirmam que a estratégia é manter a atuação de forma paralela, aproveitando os compromissos da ex-primeira-dama para ampliar a presença do candidato entre lideranças religiosas.

Michelle tenta transferir capital político

A relação de Michelle com o eleitorado evangélico foi construída durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que ela ampliou sua participação em cultos, encontros e eventos religiosos. Desde então, tornou-se uma das principais figuras do bolsonarismo com trânsito nesse segmento.

Para aliados de Flávio, essa rede pode ajudar na recuperação do candidato entre eleitores religiosos e, especialmente, entre mulheres evangélicas. O grupo passou a mencionar nos bastidores o chamado “efeito Michelle”, expressão utilizada para descrever a percepção de que a reaproximação entre os dois teria contribuído para fortalecer a campanha.

A atuação ocorre enquanto a campanha do presidente Lula também busca ampliar o diálogo com os evangélicos. O PT prepara novas iniciativas voltadas ao segmento, incluindo ações com lideranças religiosas e uma plenária virtual do grupo Evangélicos com Lula.

A disputa pelo eleitorado evangélico, portanto, ganhou espaço central na corrida presidencial de 2026, com as principais campanhas ampliando esforços para conquistar apoio de lideranças e eleitores desse segmento.

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