O preço do petróleo voltou a alcançar US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), em meio à intensificação dos conflitos no Oriente Médio. O barril do Brent, referência internacional para a commodity, avançou 2,3% nas primeiras horas do dia e chegou brevemente à marca, atingindo o maior nível desde julho. O petróleo norte-americano também registrou alta e era negociado próximo dos US$ 94.
A movimentação ocorre após uma sequência de ataques na região. Segundo informações divulgadas pela CNN, os Estados Unidos realizaram ações contra petroleiros iranianos, enquanto os houthis, grupo apoiado pelo Irã e baseado no Iêmen, atacaram alvos na Arábia Saudita. Os episódios ampliaram a preocupação dos investidores com possíveis obstáculos ao transporte e à produção de petróleo.
Estreito de Ormuz aumenta preocupação dos mercados
Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, importante rota marítima para o transporte de petróleo e gás. A possibilidade de novas restrições à circulação de navios pela região tem provocado forte volatilidade nos mercados internacionais.
A Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, também está no centro das preocupações. O local é considerado estratégico para as exportações de petróleo do Irã. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos, forças norte-americanas atacaram quatro petroleiros iranianos no Golfo de Omã e outro nas proximidades da ilha.
Os ataques dos houthis contra instalações e estruturas ligadas ao setor petrolífero saudita também elevaram o temor de que o conflito entre Estados Unidos e Irã possa se espalhar para outras áreas produtoras de petróleo do Oriente Médio.
Alta do petróleo pode pressionar gasolina e diesel
A valorização da commodity já começa a aumentar a preocupação com os preços dos derivados de petróleo, como gasolina, diesel e combustível de aviação. Uma elevação prolongada dos custos de energia pode atingir consumidores e empresas e dificultar o controle da inflação em diversos países.
Segundo dados da AAA citados pela CNN, o preço médio nacional do diesel nos Estados Unidos chegou a US$ 5,90 por galão na terça-feira (8), maior valor registrado até então.
O cenário também afeta o mercado de gás natural liquefeito. As dificuldades relacionadas ao transporte pelo Estreito de Ormuz podem reduzir a oferta disponível e contribuir para uma pressão adicional sobre os preços internacionais de energia.
Petróleo acumula forte valorização em 2026
A trajetória do petróleo tem sido marcada por fortes oscilações ao longo de 2026. O Brent chegou a superar US$ 100 por barril em março, antes de recuar para aproximadamente US$ 72 em junho, em um momento de expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz.
Com a continuidade das tensões, porém, a commodity voltou a ganhar força e atingiu novamente a marca de US$ 100 em julho. Agora, o novo avanço reforça a percepção de que os mercados continuarão sensíveis a qualquer alteração no fluxo de petróleo produzido e transportado no Oriente Médio.
Além da oferta, investidores acompanham de perto o comportamento da China, maior importadora mundial de petróleo. Uma eventual retomada das compras chinesas poderá aumentar ainda mais a pressão sobre os preços, especialmente se ocorrer simultaneamente a novas interrupções no fornecimento.
Mercados financeiros também sentem os efeitos
A escalada das tensões no Oriente Médio também repercutiu nas bolsas. O índice S&P 500 recuou 0,6% na terça-feira (8), enquanto investidores passaram a avaliar os possíveis impactos de um petróleo mais caro sobre a inflação e as decisões dos bancos centrais.
A preocupação é que uma alta persistente dos preços de energia dificulte a redução dos juros em diferentes economias. Caso a inflação volte a acelerar, autoridades monetárias poderão optar pela manutenção de taxas elevadas ou até considerar novos aumentos.
Para os mercados, o comportamento do petróleo nos próximos dias dependerá principalmente da evolução dos conflitos, do trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz e da capacidade dos países produtores de manter o fluxo de exportações.



