Mulher acusada de fingir ser menina de 12 anos é julgada em SC; decisão sai em até cinco dias

Foto: Arquivo Pessoal

A Justiça de Santa Catarina realizou, nesta quarta-feira (20), a audiência de instrução do processo contra Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, acusada de se passar por uma menina de 12 anos para enganar uma família de Joinville. Ao final da sessão, o juiz responsável informou que a sentença deve ser proferida em até cinco dias.

Amanda participou da audiência por videoconferência. Ela está presa preventivamente desde 2 de junho e permanece detida desde então. Durante a sessão, a defesa solicitou a revogação da prisão e a absolvição da acusada, enquanto o Ministério Público se posicionou contra a soltura e pediu a condenação.

Segundo informações publicadas pelo O Globo, foram ouvidos durante a audiência integrantes da família que teriam acreditado que Amanda era uma criança e a acolheram como filha. Também prestaram depoimento o filho do casal e um policial civil, na condição de testemunhas de acusação. Um psiquiatra e uma psicóloga responsáveis pelas avaliações técnicas do caso também foram ouvidos.

Defesa alega necessidade de tratamento psiquiátrico

Os advogados Sarita Henrique de Paiva e Lúcio Sousa afirmaram que Amanda deve ser absolvida. A defesa sustenta que os laudos elaborados durante o processo apontam a existência de quadros psiquiátricos e indicam a necessidade de acompanhamento e tratamento especializado.

O conteúdo dos documentos permanece sob segredo de Justiça. A identidade das testemunhas e as informações apresentadas nos depoimentos também estão protegidas por sigilo.

Com o encerramento da audiência de instrução, o processo entrou na etapa final antes da decisão. Conforme informado pelo magistrado, a sentença deverá ser publicada nos próximos cinco dias.

Relembre o caso da falsa adolescente

Amanda responde a acusações de falsa identidade e estelionato. O caso ganhou repercussão depois que a investigação apontou que ela permaneceu por aproximadamente 14 meses na residência de uma família que acreditava ter acolhido uma adolescente de 12 anos.

A fraude foi descoberta em 2 de junho, quando Amanda acabou presa na casa das vítimas. Segundo informações da Polícia Civil, durante o depoimento ela teria admitido envolvimento em golpes semelhantes em outras localidades, incluindo Curitiba, Nova Iguaçu e municípios de Minas Gerais, Goiás e Ceará.

Ainda de acordo com a investigação, Amanda teria se aproximado da família por intermédio de um pastor de uma igreja local. Inicialmente, ela teria usado o nome falso de Gabriele e afirmado ter 18 anos, além de dizer que tinha experiência com panificação e procurava uma oportunidade de trabalho.

Com o passar do tempo, ela teria conquistado a confiança dos moradores e relatado dificuldades financeiras e problemas de saúde. Posteriormente, mudou a versão e afirmou ter apenas 11 anos, além de dizer que teria sido vítima de abusos.

Convencida pela história, a família passou a acolhê-la em casa. Amanda chegou a participar de uma comemoração que seria referente aos seus supostos 12 anos e recebeu apoio para realizar um tratamento de emagrecimento com o medicamento Mounjaro.

As suspeitas começaram no fim de maio, quando uma tia da família pesquisou informações sobre o caso na internet e encontrou reportagens relacionadas a episódios semelhantes atribuídos à acusada em outros estados. A descoberta levou a família a procurar as autoridades e contribuiu para o início da investigação que resultou na prisão de Amanda e na abertura do processo criminal.

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