Empresa desconhecida recebeu R$ 126 milhões do Banco Master por serviços não explicados

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Midias Promotora LTDA, empresa sediada no centro do Rio de Janeiro, recebeu R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, classificados como pagamentos por prestação de serviços. O banco é controlado por Daniel Vorcaro, que não explicou quais serviços justificam o valor.

O sócio-administrador da empresa, Gilson Bahia Vasconcelos, é réu por estelionato e organização criminosa. O Ministério Público do Rio aponta-o como um dos líderes de um esquema de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS.

No golpe descrito na denúncia, funcionários de um call center ligavam para vítimas e marcavam encontros presenciais sob pretexto de emitir cartões de desconto. No encontro, capturavam a imagem das vítimas para reconhecimento facial e usavam os dados para contratar empréstimos consignados sem consentimento.

A Midias foi aberta em 2020 com capital social de R$ 1 milhão — o mesmo ano em que Vasconcelos recebeu auxílio emergencial do governo em cinco parcelas de R$ 600. Hoje, a empresa acumula R$ 12,5 milhões em dívida ativa com a União por impostos não pagos.

Em 2024, ano em que a Midias recebeu R$ 96 milhões do Master, Vasconcelos ficou preso preventivamente por quase um mês. O valor recebido naquele ano representa a maior fatia dos repasses totais feitos pelo banco à empresa.

O montante pago à Midias foi o terceiro maior registrado entre os prestadores de serviços do Master no período. Ficou atrás apenas de empresas ligadas a Daniel Monteiro, apontado como arquiteto jurídico do banco, e ao ex-sócio Augusto Lima.

A assessoria de Vorcaro não respondeu às perguntas da reportagem sobre os serviços contratados nem sobre eventual análise de compliance do fornecedor. O advogado de Vasconcelos afirma que as movimentações da Midias são legais e que seu cliente mantém estado de inocência no processo criminal.

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