ROMBO: Pacote de medidas em ano eleitoral chega a R$ 215,6 bilhões após fim de bets e novo Desenrola

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

O fim das casas de apostas on-line e a terceira edição do Desenrola Brasil elevaram o custo das medidas anunciadas pelo governo Lula em ano eleitoral para até R$ 215,6 bilhões. O cálculo foi feito pela Folha de São Paulo, com base em dados do governo e na consulta a especialistas.

Em maio, o pacote tinha 11 medidas e somava cerca de R$ 144 bilhões. No fim de junho, antes do defeso eleitoral, chegou a R$ 180 bilhões, com 16 medidas; no início de setembro, foi a R$ 193,8 bilhões e, agora, passa de R$ 200 bilhões, com 22 ações.

O fim das bets provocará perda de arrecadação de R$ 1,5 bilhão neste ano. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano previa ainda R$ 5,3 bilhões com a taxação dos ganhos das casas de apostas e com a taxa de fiscalização.

Segundo a Receita Federal, a arrecadação com as bets foi de cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e de R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. Os valores incluem a tributação dos ganhos e as contribuições sociais e previdenciárias pagas pelas empresas.

Com o Desenrola 3.0, o governo prevê alcançar cerca de R$ 150 bilhões em dívidas. Para isso, gastará até R$ 15 bilhões na compra desse estoque, com desconto mínimo de 90%, até 2028.

O governo comprará dívidas de até R$ 10 mil que constam nos balanços dos bancos. Ele mesmo negociará com os endividados, repassará os descontos obtidos no atacado com as instituições e liberará os bancos para emprestar mais.

O governo nega caráter eleitoral nas medidas. Ao lançar o aumento do Bolsa Família, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as ações estão dentro do Orçamento, ao contrário do que ocorreu no último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Entre as primeiras medidas do ano está o aporte de até R$ 15 bilhões no FGO (Fundo de Garantia de Operações) para o Desenrola 2.0. O fundo é administrado pelo Banco do Brasil, que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote.

Em abril, o governo anunciou R$ 21,2 bilhões para financiar caminhões e ônibus e R$ 10 bilhões para máquinas agrícolas. Vieram depois uma linha de cerca de R$ 4 bilhões para motos de entregadores de aplicativos, uma de R$ 30 bilhões para renovação de frota de taxistas e motoristas de apps e o reajuste do Bolsa Família, estimado em R$ 22 bilhões para este ano e o próximo.

Em agosto, o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello, disse ao jornal que as medidas têm impacto positivo na economia e não põem em risco as metas fiscais nem o controle da inflação.

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