Alta de gastos da classe média pode influenciar voto nas eleições de 2026

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A inflação oficial do Brasil permanece dentro do teto da meta, mas o aumento de determinados gastos do cotidiano pode ter impacto importante sobre o comportamento dos eleitores nas eleições de 2026. Entre os itens que mais pressionaram o orçamento estão plano de saúde, passagens aéreas, gasolina, aluguel, educação e serviços domésticos, despesas que têm forte presença no consumo da classe média.

Segundo levantamento citado pela Folha de S.Paulo, dez itens responderam, juntos, por mais de 2,1 pontos percentuais da inflação acumulada em 12 meses, que estava em 4,4% até o período analisado. O cálculo considera não apenas a variação de preço, mas também o peso de cada produto ou serviço na cesta de consumo das famílias.

A diferença entre os itens fica evidente quando se observa a participação deles no orçamento. A energia elétrica residencial, por exemplo, registrou alta de 8,85%, mas possui peso significativo na composição do IPCA. Já as passagens aéreas tiveram aumento próximo de 42%, suficiente para provocar impacto relevante mesmo com uma participação menor na cesta de consumo.

Entre os dez itens que mais contribuíram para a inflação ponderada pelo peso no orçamento estão energia elétrica residencial, passagem aérea, gasolina, plano de saúde, aluguel residencial, empregado doméstico, refeição fora de casa, ensino fundamental, lanche fora de casa e perfume.

Para o professor Lucio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB), a perda do poder de compra e do padrão de vida pode aumentar a insatisfação social e política entre famílias de classe média. Segundo ele, embora questões econômicas tenham perdido parte da influência sobre o comportamento eleitoral diante do fortalecimento das convicções políticas, fatores como renda, emprego e preços continuam relevantes.

A economista Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que o salário tem forte relação com a aprovação de governos. Entretanto, o aumento das despesas e o custo das dívidas podem reduzir o poder de compra mesmo quando há crescimento da renda nominal.

O professor Frederico Batista Pereira, da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, nos Estados Unidos, também aponta uma relação entre inflação e aprovação presidencial, mas ressalta que essa associação, isoladamente, não necessariamente produz um efeito eleitoral determinante.

Outro aspecto destacado pelos especialistas é a diferença entre os padrões de consumo. Enquanto famílias de menor renda concentram seus gastos em itens essenciais, a classe média possui maior participação de serviços e despesas relacionadas ao cotidiano. Nesse cenário, a percepção de perda de qualidade de vida pode ganhar relevância política.

As redes sociais também podem intensificar essa sensação, ao ampliar a exposição a padrões de consumo e estilos de vida. Para Benjamin Rosenthal, da FGV, porém, a inflação desses produtos não deve ser analisada isoladamente. Mudanças nos hábitos de consumo e o surgimento de novas despesas também interferem no orçamento familiar.

Apesar da pressão provocada por determinados preços, os especialistas ponderam que a inflação não aparece entre as principais preocupações do eleitorado nas pesquisas de opinião. Questões como segurança pública e saúde continuam ocupando posições de destaque. Ainda assim, a combinação entre perda de renda disponível, aumento de despesas e dificuldade para manter determinados hábitos de consumo pode influenciar o humor de parte dos eleitores durante o período eleitoral.

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