Flávio Bolsonaro pausa campanha e mira fim da escala 6×1

Foto: Guito Moreto

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, decidiu interromper parcialmente a agenda eleitoral nesta terça-feira (1º) para permanecer em Brasília e acompanhar as articulações no Congresso Nacional em torno da proposta que prevê o fim da escala 6×1. A movimentação ocorre enquanto o senador busca apresentar uma alternativa à redução da jornada defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A pausa deve durar apenas um dia. Na quarta-feira (2), Flávio retoma a campanha com uma viagem ao Rio Grande do Sul. A permanência na capital federal também permitirá que ele acompanhe o esforço concentrado do Congresso, embora, segundo interlocutores, não esteja prevista sua participação na votação da medida provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas”.

A discussão sobre a escala 6×1 coloca o candidato em uma posição considerada delicada. Segundo pesquisa Quaest realizada em julho, 69% dos brasileiros apoiam o fim desse modelo de jornada. Ao mesmo tempo, uma adesão direta à proposta poderia gerar resistência entre setores empresariais preocupados com os possíveis impactos da redução da jornada sobre os custos trabalhistas.

Flávio defende flexibilidade na jornada

Diante desse cenário, Flávio Bolsonaro tem buscado se posicionar a favor de uma maior flexibilização das relações de trabalho, em vez de apoiar a inclusão de uma nova jornada diretamente na Constituição.

Em entrevista à Record, no último domingo (30), o candidato afirmou que o trabalhador deveria ter liberdade para escolher a quantidade de horas que pretende trabalhar e receber proporcionalmente à jornada definida.

A estratégia busca apresentar uma alternativa ao projeto defendido pelo governo Lula e evitar que a direita seja associada a uma posição contrária à redução da jornada de trabalho, uma pauta que ganhou força entre os eleitores.

Oposição tenta dificultar avanço da PEC

A permanência de Flávio em Brasília acontece paralelamente à articulação do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), para retardar a tramitação da proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho.

Marinho pretende recorrer a mecanismos regimentais, como pedidos de vista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), análise das emendas apresentadas e resistência a acordos que possam acelerar a votação da proposta em dois turnos.

De acordo com O Globo, que publicou as informações nesta terça-feira, a estratégia da oposição é ampliar o debate e dificultar que a PEC avance rapidamente durante o esforço concentrado do Congresso.

O que está em discussão sobre a escala 6×1?

A proposta em análise no Congresso pretende reduzir a jornada de trabalho e modificar o atual modelo que permite uma rotina de seis dias trabalhados para um dia de descanso.

O governo Lula transformou o fim da escala 6×1 em uma de suas principais bandeiras e tem pressionado o Congresso pela aprovação da mudança antes das eleições de 2026.

No Senado, a proposta precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de chegar ao plenário. Caso avance, será necessária aprovação em dois turnos.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro mantém a defesa de um modelo mais flexível, no qual trabalhador e empregador possam estabelecer a quantidade de horas trabalhadas e a remuneração correspondente.

Na quarta-feira, o candidato deixa Brasília e segue para o Rio Grande do Sul. No estado, participará de uma feira do agronegócio e fará gravações para o horário eleitoral de aliados, entre eles Luciano Zucco (PL-RS).

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