Flávio Bolsonaro reage à reaproximação entre Lula, Alcolumbre e Hugo Motta

Foto: Wilton Junior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) selou, nesta quarta-feira (26), um acordo político com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O entendimento prevê a aceleração de pautas consideradas importantes para o governo na próxima semana, período que antecede a campanha eleitoral. Entre os temas estão a possível extinção da chamada “taxa das blusinhas”, o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e propostas relacionadas a minerais críticos e à instalação de data centers no Brasil.

O acordo foi firmado durante um almoço de aproximadamente duas horas e meia no Palácio da Alvorada. Após o encontro, Lula chamou Motta e Alcolumbre de “companheiros” e afirmou, em tom descontraído, que os três poderiam estar “juntos para sempre”. Segundo informações do Estadão, o entendimento também envolve interesses eleitorais: Lula teria sinalizado apoio à permanência de Motta na presidência da Câmara e de Alcolumbre no comando do Senado em 2027, caso seja reeleito. Em contrapartida, os dois dirigentes do Congresso se comprometeriam a atuar pela candidatura do petista à Presidência.

Votação da “taxa das blusinhas” ganha prioridade

Entre as medidas que devem avançar está a Medida Provisória que trata do fim da cobrança sobre compras internacionais de baixo valor. A proposta precisa ser analisada pelo Congresso antes de perder a validade, em 8 de setembro. Alcolumbre afirmou que a votação da MP é necessária e elogiou a mudança de posição do governo sobre a cobrança.

Hugo Motta também defendeu a revisão da tributação das compras feitas em plataformas digitais e classificou como uma “falácia” o argumento de que a manutenção da taxa seria necessária para proteger a indústria nacional da concorrência estrangeira.

Escala 6×1 também entra no radar

Outra pauta com forte apelo popular é o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta, que prevê mudanças na jornada e mais dias de descanso para os trabalhadores, é uma das bandeiras defendidas pelo governo Lula. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), porém, o texto precisa cumprir uma tramitação mais longa antes de chegar ao plenário.

Mesmo assim, o envio da proposta para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado é visto pelo Palácio do Planalto como um avanço. A movimentação ocorre em meio à disputa eleitoral e à tentativa do governo de ampliar a agenda positiva antes das eleições.

Reaproximação entre Lula e Alcolumbre

O acordo também representa uma mudança na relação entre Lula e Alcolumbre. Os dois estavam afastados politicamente desde abril, após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias, então advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

A reaproximação começou a ser construída após um jantar realizado no início de agosto, que contou com a presença do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Desde então, o diálogo entre Planalto e Senado foi retomado.

Enquanto isso, Hugo Motta vinha mantendo uma relação mais próxima com o governo. O presidente da Câmara chegou a declarar apoio à reeleição de Lula e agora também busca apoio do petista para a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado pela Paraíba.

Flávio Bolsonaro reage ao acordo

O movimento entre Lula e os dois principais líderes do Congresso provocou reação do senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como um dos principais adversários de Lula na disputa presidencial. A oposição tenta evitar que pautas com potencial de impacto eleitoral, como o fim da escala 6×1, avancem antes das eleições.

A avaliação é de que medidas populares podem favorecer a campanha de Lula. O presidente, que aparece à frente em pesquisas de intenção de voto, busca fortalecer sua agenda política enquanto enfrenta o desgaste provocado por investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

O cenário coloca o Congresso no centro da disputa eleitoral, com votações de forte apelo social podendo ganhar ritmo justamente nas semanas que antecedem o período eleitoral.

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