A Oi teve a falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro nesta terça-feira (25), em uma decisão unânime da Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A operadora, que já foi considerada uma das maiores empresas de telecomunicações do país, enfrenta uma crise financeira que se arrasta há mais de uma década.
A decisão ocorre depois que a companhia passou por dois processos de recuperação judicial e acumulou uma dívida superior a R$ 44 bilhões, além de mais de 164 mil credores.
Apesar da falência, a Oi ainda mantém serviços considerados essenciais para o funcionamento de órgãos públicos e empresas. Entre eles estão conexões utilizadas por casas lotéricas, serviços da Caixa Econômica Federal e números de emergência, como 190, 192 e 193.
Oi ainda atende milhares de clientes corporativos
De acordo com informações divulgadas pela Agência O Globo e pela Folha de Pernambuco, a Oi Soluções, divisão voltada ao mercado corporativo e principal operação remanescente do grupo, tinha cerca de 9,2 mil clientes ativos em fevereiro de 2026.
O número representa uma queda de aproximadamente 45% em relação aos 16,9 mil clientes registrados no mesmo período do ano anterior.
Mesmo com a redução da carteira, a empresa ainda possui contratos relevantes com governos estaduais, prefeituras, empresas públicas e outras instituições.
Um dos exemplos é a Caixa Econômica Federal, que possui contratos relacionados à conectividade de aproximadamente 13 mil casas lotéricas espalhadas pelo país.
A dependência ficou evidente neste mês, quando uma interrupção provocada por uma empresa fornecedora da Oi afetou conexões de lotéricas em 18 estados.
Dívida da Oi ultrapassa R$ 44 bilhões
A situação financeira da companhia se agravou após anos de dificuldades e da tentativa de criação da chamada “supertele”, projeto iniciado em 2008 a partir da combinação de grandes empresas do setor.
O grupo chegou a ampliar sua presença por meio de operações envolvendo a Brasil Telecom e, posteriormente, a Portugal Telecom. A estratégia, porém, não produziu os resultados esperados.
Hoje, a Oi possui patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões, conforme informações apresentadas à Justiça.
No início deste ano, a relação de credores contabilizava 164.706 nomes e uma dívida superior a R$ 44 bilhões.
Desse montante, aproximadamente R$ 13,8 bilhões correspondiam a credores com garantias. Os trabalhadores representavam 8.327 credores, com cerca de R$ 1,03 bilhão a receber.
Também havia 4.418 microempresas na lista, com créditos estimados em R$ 106,14 milhões. Os demais valores são distribuídos entre bancos, fornecedores, detentores de títulos e outros credores.
Crise provocou cortes e falta de recursos
A deterioração financeira também atingiu diretamente os funcionários da companhia. Antes dos cortes, o grupo contava com aproximadamente 2 mil trabalhadores e, recentemente, chegou a um acordo para a demissão de cerca de 60% do quadro, com pagamento das verbas rescisórias parcelado em dez vezes.
A situação do caixa também se tornou crítica. A projeção para o fim de julho apontava disponibilidade de aproximadamente R$ 19,6 milhões.
Em documento encaminhado à Justiça, a administração da Oi afirmou que a empresa não teria recursos suficientes para manter os pagamentos essenciais ao funcionamento da operação no fim de agosto, prevendo um cenário de esgotamento dos recursos disponíveis.
Venda de ativos não conseguiu evitar a falência
A dificuldade para vender os últimos ativos relevantes da companhia também contribuiu para o agravamento da crise.
Um dos principais casos é o da Oi Soluções, unidade voltada para serviços corporativos, conectividade e tecnologia. O ativo tinha preço mínimo de R$ 1,4 bilhão, mas o leilão realizado em junho terminou sem propostas.
Outro negócio envolve a participação de 27,2% da Oi na V.tal, empresa responsável por infraestrutura de fibra óptica utilizada por operadoras e provedores de internet. A venda havia sido homologada por R$ 4,5 bilhões para fundos ligados ao BTG Pactual, mas acabou suspensa pela Justiça após recursos apresentados por credores e investidores.
A companhia também ainda não recebeu os R$ 60,1 milhões previstos pela venda da UPI Serviços Telefônicos para a Método Telecomunicações. A operação depende do cumprimento de condições contratuais e aprovações regulatórias.
Justiça nomeia administrador judicial
Com a decretação da falência, o advogado Bruno Resende foi nomeado administrador judicial da Oi.
Durante a sessão, os desembargadores também discutiram a ordem de pagamento dos credores, especialmente os trabalhadores. O desembargador Augusto Alves Moreira Júnior destacou que ainda não existe um quadro geral de credores consolidado, o que impede, neste momento, uma definição definitiva sobre a prioridade dos pagamentos.
A partir de agora, questões relacionadas aos créditos e à venda dos ativos deverão ser tratadas dentro do processo de falência.
O caso marca o fim de um dos maiores projetos de consolidação do setor de telecomunicações brasileiro e coloca em xeque como serão preservados os serviços essenciais que ainda dependem da infraestrutura da Oi durante o processo de encerramento das atividades.



