A oposição no Congresso intensificou, nesta quinta-feira (20), a articulação para criar uma nova Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A iniciativa é liderada pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), que começou a buscar apoio de deputados e senadores para o requerimento de instalação da comissão. Paralelamente, o parlamentar encaminhou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido para preservar provas digitais relacionadas às investigações.
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, a movimentação ocorre em meio ao impacto político que as investigações envolvendo Lulinha passaram a provocar na disputa presidencial de 2026.
O que a oposição pretende investigar
O requerimento apresentado por Carlos Viana pretende apurar uma possível atuação de Lulinha na intermediação de interesses privados junto a órgãos do governo federal.
Entre os pontos que deverão ser analisados estão possíveis tratativas relacionadas a medicamentos à base de canabidiol, além de eventuais relações com a lobista Roberta Luchsinger, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e empresas citadas nas investigações.
A oposição também quer esclarecer se houve pagamentos ou promessa de vantagens em troca de intermediações, quais autoridades teriam sido procuradas e se houve eventual utilização indevida de relações pessoais ou de acesso à estrutura do governo.
Para que uma CPMI seja instalada, o requerimento precisa reunir 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores, o equivalente a um terço dos integrantes de cada Casa do Congresso. A decisão sobre a instalação cabe ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP).
É a segunda tentativa de investigar Lulinha
A iniciativa de Carlos Viana ocorre após uma primeira tentativa de incluir Lulinha nas conclusões da CPMI do INSS.
No fim de março, o relatório apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) propôs o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva. O documento, porém, acabou rejeitado pelos integrantes do colegiado.
Agora, a oposição tenta retomar as investigações por meio de uma nova CPMI, com foco específico na eventual influência de Lulinha sobre órgãos da administração pública federal.
Senador pede preservação de provas digitais
Além da articulação no Congresso, Carlos Viana apresentou ao ministro André Mendonça um complemento a uma representação criminal protocolada anteriormente.
O senador citou uma reportagem da revista Veja que teria obtido acesso a informações de um inquérito sigiloso da Polícia Federal.
No pedido, Viana solicita a preservação de arquivos, imagens forenses, metadados e registros relacionados à cadeia de custódia das provas. A medida teria como objetivo evitar a perda de informações que possam ser relevantes para as investigações.
De acordo com a representação, mensagens atribuídas a Lulinha teriam sido apagadas e posteriormente recuperadas por meio de ferramentas forenses utilizadas pela Polícia Federal. O parlamentar também pede apuração sobre movimentações financeiras e eventual interesse relacionado a contas no exterior.
Lulinha é alvo de três inquéritos
Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três inquéritos autorizados pelo STF desde julho. As investigações apuram suspeitas de possíveis esquemas envolvendo empresas e órgãos federais, entre eles o Ministério da Saúde e a Dataprev.
Um dos procedimentos tramita sob sigilo e também envolve o Palácio do Planalto. O inquérito investiga possíveis conexões entre Roberta Luchsinger, Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete do presidente Lula.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e tem criticado o que classifica como vazamentos seletivos de informações relacionadas às investigações.



