O cenário de crise da Casas Bahia ganhou novos capítulos enquanto a empresa aguarda uma decisão da Justiça de São Paulo sobre o pedido de recuperação judicial. Com dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões, a varejista enfrenta dificuldades para manter o abastecimento de lojas e centros de distribuição. Segundo informações do GLOBO, alguns fornecedores passaram a exigir pagamento antecipado antes de enviar novos produtos, enquanto imóveis utilizados pela companhia são alvo de ações de despejo por falta de pagamento.
A empresa afirma que segue operando normalmente e que adotou medidas preventivas para reduzir possíveis impactos no abastecimento e nas entregas. Em nota ao GLOBO, a Casas Bahia informou que mantém diálogo com fornecedores e parceiros comerciais e que alguns prazos de entrega foram ajustados.
Fornecedores mudam condições de pagamento
Um fabricante ouvido pelo GLOBO relatou que pedidos de mercadorias previstos para as próximas semanas foram suspensos após a divulgação do pedido de recuperação judicial. Além disso, a forma de pagamento teria sido alterada.
Antes, os produtos eram enviados às lojas e aos centros de distribuição com prazos que variavam entre 45 e 90 dias, conforme os contratos. Agora, segundo o fornecedor, a exigência passou a ser de pagamento à vista antes do envio das mercadorias. Fontes próximas à empresa afirmam que outras negociações semelhantes também estão em andamento.
A situação ocorre em meio a uma extensa lista de credores. Entre as empresas do setor de eletrodomésticos e eletrônicos estão Samsung, Electrolux, Whirlpool, LG, Motorola e Lenovo.
No balanço do segundo trimestre, divulgado pouco antes do pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões. O documento também apontou dificuldades para recompor os estoques nos níveis planejados. O indicador caiu de 95 dias de estoque, em 31 de março, para 75 dias, em 30 de junho.
Justiça determina manutenção de serviços essenciais
Na quarta-feira, a Justiça de São Paulo concedeu proteção temporária contra cobranças de credores. A decisão também determinou que fornecedores mantenham a entrega de produtos que já estavam em trânsito para lojas e centros de distribuição da varejista.
A companhia também enfrenta processos relacionados a imóveis alugados. Há ações de despejo em municípios paulistas como Ribeirão Pires, São Sebastião, Ferraz de Vasconcelos e Olímpia.
Na decisão, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, determinou a manutenção de contratos considerados essenciais para a operação da empresa, incluindo serviços de água, energia elétrica e locação de imóveis operacionais.
Galpões logísticos têm aluguéis em atraso
Entre os contratos com pagamentos pendentes estão dois grandes galpões logísticos utilizados pela Casas Bahia: um em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e outro em São José dos Pinhais, no Paraná.
Os imóveis pertencem ao fundo imobiliário HSI Logística, administrado pela Apex Group e gerido pela HSI. De acordo com a gestora, os aluguéis referentes a julho foram pagos, mas os valores com vencimento em agosto ainda não haviam sido quitados.
Na relação de credores da recuperação judicial, o fundo aparece com um crédito de aproximadamente R$ 4,5 milhões contra a Casas Bahia.
Em fato relevante, a gestora informou que a varejista foi comunicada sobre a possibilidade de aplicação das penalidades previstas nos contratos.
Segundo a advogada Raysa Moraes, sócia do Moraes & Savaget Advogados, a empresa deve continuar pagando os aluguéis correntes após o pedido de recuperação judicial. Eventuais ações de despejo relacionadas a contratos anteriores podem ter a tramitação suspensa por determinação do juízo responsável pela recuperação.
A Casas Bahia, por sua vez, afirma que mantém suas operações e trabalha para reduzir possíveis impactos pontuais no abastecimento e nas entregas enquanto busca alternativas para atravessar o processo de recuperação judicial.



