Valdemar nega controle sobre emendas e diz que apenas sugere destinação de recursos

O presidente do PLValdemar Costa Neto, afirmou que nunca teve uma “cota” de emendas parlamentares e atribuiu a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal)Flávio Dino, de bloquear recursos vinculados ao seu nome a uma interpretação equivocada sobre sua atuação na distribuição das verbas.

Em entrevista ao Poder360, Valdemar explicou que seu papel consiste em receber prefeitos, ouvir as demandas apresentadas pela base do partido e sugerir aos líderes da bancada e aos presidentes de comissões o encaminhamento das emendas. Segundo ele, a decisão final sempre cabe aos parlamentares.

“Todos os presidentes fazem isso. Isso é natural. Não é determinação. É uma sugestão que a gente faz e o líder acata. Ou não acata.”

Presidente do PL diz que nunca teve cota de emendas

Valdemar afirmou que as regras atuais para a distribuição de emendas são adequadas e comparou sua atuação à de um maestro. Segundo ele, nunca recebeu uma cota própria de recursos e, no passado, chegou a recusar essa possibilidade.

“Tinha uma história lá atrás de se dar uma cota para cada presidente de partido. Eu fui contra isso. Falei: ‘Para mim não precisa dar’. Por quê? Porque os deputados sempre buscam me ouvir, como quem conhece bem a realidade do país e do partido, e acabam atendendo parte de nossas sugestões. Nunca tive problema.”

Ainda de acordo com o dirigente, sua função é analisar os pedidos apresentados por prefeitos e encaminhar sugestões às lideranças do partido, sem poder para decidir o destino das verbas.

“Eu recebo o prefeito que vem falar comigo porque não tem deputado que ponha emenda para ele. Se o pleito tem sentido, eu ponho ele na lista e sugiro para a liderança e para a comissão. O líder encaminha essa emenda. Não sou eu que encaminho. Eu só faço a sugestão. Eu não tenho poder para encaminhar.”

Na avaliação de Valdemar, Flávio Dino pode ter interpretado que havia uma cota formal sob seu controle, hipótese que ele rejeitou.

“Eu não tenho cota nenhuma. Vou continuar fazendo isso o ano que vem. Vou continuar recebendo os prefeitos. Nossa base tem que ser ouvida e esse é o meu papel como presidente. Nós sabemos quem está melhor, quem está pior, quem precisa mais, quem não precisa.”

Dirigente contesta bloqueio de patrimônio

Valdemar também rebateu a informação de que teria R$ 119 milhões bloqueados como patrimônio pessoal. Segundo ele, esse valor corresponde ao montante das emendas investigadas e não aos seus bens.

“Aquilo não é o que eu tenho de dinheiro na vida. Se eu juntar tudo, não tenho nem R$ 10 milhões. Aquilo é um número das emendas. Bloquearam minha conta.”

Apesar de considerar que a operação não era necessária, especialmente porque, segundo ele, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra as medidas, o presidente do PL afirmou não estar preocupado com o andamento da investigação.

“O problema seria se tivesse mandado emenda para algum lugar duvidoso, para fundação. É tudo para prefeitura: 80% é saúde, custeio.”

Valdemar comenta cenário político

Durante a entrevista, Valdemar também avaliou o momento político e afirmou que a operação ocorre em meio ao desgaste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Lula teve uma queda no Nordeste. O pessoal está sentindo muito no supermercado. Quem ganha R$ 2.000, R$ 3.000 por mês não está conseguindo comprar o que comprava. Na minha opinião, o Lula já perdeu a eleição. Isso bateu um desespero no pessoal, na própria esquerda. Estou falando do governo, não do Dino.”

O dirigente ainda citou uma pesquisa do Gerp, segundo a qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente de Lula em cenários de primeiro e segundo turno. Conforme mencionou, o levantamento atribuiu 45% das intenções de voto a Flávio Bolsonaro e 42% a Lula em uma simulação de segundo turno.

“Eles querem acabar com a gente. Querem prejudicar a direita. A guerra é essa aí.”

Presidente do PL critica cobertura da imprensa

Valdemar também fez críticas à cobertura de parte da imprensa sobre a operação. Segundo ele, alguns veículos chegaram a marcar entrevistas antes da decisão judicial, mas deixaram de procurá-lo posteriormente.

“Quase todos os canais tinham me ligado de manhã, antes da decisão. Marcamos para me entrevistar à tarde, porque eu estava voando para São Paulo. Depois, nenhum me ligou à tarde. Eu liguei para alguns de volta e falaram: ‘Estamos vendo um espaço’. E nada. Receberam uma ordem: ‘Não põe esse cara’.”

Por fim, o presidente do PL afirmou que diversos jornais publicaram reportagens sobre o caso sem ouvi-lo previamente.

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