O conjunto de medidas econômicas e sociais anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 já ultrapassa R$ 180 bilhões e deve ter efeitos que avançam para o próximo ciclo presidencial, a partir de 2027. O dado é de levantamento publicado pela Folha.
As iniciativas foram aceleradas nos últimos meses, em meio à aproximação do período eleitoral. A partir deste sábado (4), entra em vigor o chamado defeso eleitoral, que restringe eventos, inaugurações e ações de comunicação institucional por parte do governo durante os três meses que antecedem a eleição.
O pacote tem como foco principal a população de renda intermediária, grupo que representa cerca de um terço do eleitorado e onde o governo enfrenta maior resistência, segundo pesquisas citadas no levantamento. Nesse segmento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com melhor desempenho relativo.
Entre as 16 medidas mapeadas, há ações com impacto direto nas contas públicas, como renúncia de receitas e aumento de despesas, além de linhas de crédito com condições facilitadas, operadas por bancos públicos e fundos de garantia. O volume total cresceu em relação a maio, quando era estimado em R$ 144 bilhões.
Entre os principais programas estão aportes em fundos de garantia para renegociação de dívidas, linhas de crédito para compra de veículos, financiamento para máquinas agrícolas e programas voltados a entregadores, taxistas e microempreendedores individuais (MEIs). Também há medidas relacionadas à recomposição de subsídios e à renegociação de dívidas do setor.
O governo afirma que as iniciativas têm impacto controlado e que não representam pressão relevante sobre a inflação. Já parte de analistas e técnicos do mercado financeiro avalia que o conjunto pode influenciar a atividade econômica, o comportamento dos juros e a percepção de risco fiscal.
O Banco Central também tem monitorado os efeitos das medidas sobre a demanda e a política monetária, apontando possíveis impactos no cenário de inflação e juros. A avaliação é de que o comportamento da atividade econômica seguirá sendo um fator relevante nas próximas decisões.




