O pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a se manifestar ao governo dos Estados Unidos contra a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em novo documento enviado ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o senador defende a suspensão, ou adiamento, da medida e afirma que o mecanismo pode ter efeitos políticos no Brasil. As informações são do Valor Econômico.
A comunicação foi encaminhada na quarta-feira (1º/7), no mesmo dia em que o governo brasileiro também respondeu oficialmente aos Estados Unidos sobre o chamado “tarifaço”, questionando a iniciativa. No texto, Flávio argumenta que sanções comerciais amplas atingem a sociedade como um todo e, segundo ele, podem acabar fortalecendo politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O documento, com cerca de 19 páginas e anexos, sustenta que os Estados Unidos já dispõem de outros instrumentos para lidar com eventuais violações comerciais, como sanções financeiras e restrições de vistos a autoridades. Na avaliação apresentada pelo senador, a aplicação de tarifas generalizadas teria impacto econômico mais amplo do que medidas direcionadas a indivíduos ou instituições.
Flávio Bolsonaro também propõe que a implementação das tarifas seja adiada até o período posterior às eleições brasileiras, defendendo a abertura de canais de negociação entre os dois países. Segundo ele, a proximidade de um pleito poderia gerar interpretações políticas sobre a medida, independentemente de seu conteúdo técnico.
O senador ainda argumenta que a iniciativa norte-americana não teria alcançado os efeitos esperados em ações anteriores relacionadas ao Brasil e cita dados eleitorais para sustentar que o tema teria reflexos no ambiente político interno. O documento também menciona a relação comercial entre os países, destacando o superávit dos Estados Unidos no comércio bilateral e questionando impactos de sistemas de pagamento brasileiros, como o Pix, dentro da investigação em curso.
O envio da comunicação ocorre em meio a um aumento de tensões comerciais e diplomáticas, após manifestações recentes do governo norte-americano e respostas do governo brasileiro sobre a investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.




