O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), desembarca em Brasília nesta quarta-feira (24) disposto a convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mantê-lo no cargo, apesar da pressão para que deixe a função após ser alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada à investigação sobre o Banco Master.
Segundo aliados, o senador afirma ser inocente das acusações e avalia que não há motivos para se licenciar da liderança. Wagner também argumenta que sua saída poderia enfraquecer o palanque de Lula na Bahia, considerado um estado estratégico para a campanha de reeleição do presidente.
Nos bastidores, porém, auxiliares do Planalto afirmam que Lula considera insustentável a permanência do senador na liderança e pretende convencê-lo a deixar o posto. A expectativa do presidente era que a decisão partisse do próprio Wagner, evitando uma destituição direta.
Após a operação da PF, ministros e aliados do governo passaram a defender o afastamento do senador para reduzir o desgaste político e evitar que a investigação continue impactando a agenda do governo. A avaliação é que a permanência no cargo mantém os holofotes sobre Wagner e dificulta sua estratégia de defesa.
O senador recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a decisão que autorizou buscas em endereços ligados a ele, alegando falhas no procedimento. Segundo interlocutores, Wagner acredita que a investigação contém inconsistências e tem reforçado sua relação de quase cinco décadas com Lula como argumento para permanecer na função.
Embora tenha manifestado solidariedade ao aliado, Lula demonstrou incômodo com declarações recentes de Wagner em entrevistas, nas quais o senador citou a confiança do presidente em sua integridade. Ainda assim, aliados afirmam que o chefe do Executivo busca uma solução que preserve a relação política e pessoal entre ambos.
Com informações da Folha de S. Paulo




