Medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, vêm sendo estudados para aplicações que vão além do tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Pesquisadores analisam possíveis benefícios em doenças cardiovasculares, hepáticas, neurológicas e psiquiátricas. Além disso, avaliam o potencial desses remédios em casos de dependência química e endometriose.
De acordo com uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, os medicamentos imitam a ação do hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. Esse hormônio estimula a produção de insulina e aumenta a sensação de saciedade.
No entanto, os receptores de GLP-1 não estão apenas no sistema digestivo. Eles também aparecem em órgãos como coração, fígado, rins e cérebro. Por isso, cientistas passaram a investigar efeitos que vão além do controle do peso e da glicemia.
Áreas em que os benefícios já têm evidências
Algumas aplicações já contam com resultados mais consistentes. Estudos apontam que a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, pode reduzir o risco de infarto e acidente vascular cerebral em determinados grupos de pacientes.
Além disso, pesquisas identificaram melhora em casos específicos de doença hepática gordurosa. A tirzepatida, presente no Mounjaro, também apresentou resultados positivos no tratamento da apneia do sono, especialmente quando associada à perda de peso.
Pesquisas sobre câncer e endometriose
De acordo com a reportagem, alguns cientistas também investigam a relação entre os medicamentos GLP-1 e a redução do risco de alguns tipos de câncer.
Parte das pesquisas sugere que pacientes que utilizam esses medicamentos apresentam menor incidência de tumores relacionados à obesidade. Entretanto, os especialistas ressaltam que ainda faltam ensaios clínicos capazes de confirmar essa associação.
Da mesma forma, estudos preliminares apontam possíveis benefícios para mulheres com endometriose. Apesar dos resultados iniciais considerados promissores, os pesquisadores afirmam que ainda são necessárias novas investigações.
Potencial no combate às dependências
Outra área que desperta interesse é o tratamento de dependências. Como os receptores de GLP-1 atuam em regiões cerebrais ligadas à recompensa, pesquisadores avaliam se esses medicamentos podem reduzir comportamentos compulsivos.
Alguns estudos já identificaram redução no consumo de álcool entre usuários. Além disso, pesquisas iniciais apontam resultados positivos no combate ao tabagismo e ao uso de outras substâncias.
Resultados ainda dividem especialistas
Quando o assunto envolve doenças neurológicas e transtornos mentais, os resultados permanecem inconclusivos.
Algumas pesquisas indicam benefícios em casos de Alzheimer, depressão e ansiedade. Por outro lado, outros estudos não encontraram melhora significativa. Em determinadas situações, pesquisadores observaram possíveis efeitos psiquiátricos adversos.
Por isso, especialistas recomendam cautela na interpretação dos resultados.
Riscos e desafios ainda em análise
Apesar do entusiasmo em torno das novas aplicações, os pesquisadores alertam que muitos estudos ainda estão em fase inicial.
Além disso, permanecem preocupações relacionadas a efeitos adversos, como pancreatite, perda de massa muscular e possíveis associações com câncer de tireoide. Nesse último caso, as evidências continuam conflitantes.
Dessa forma, a comunidade científica considera os medicamentos GLP-1 promissores para novas indicações terapêuticas. No entanto, especialistas reforçam que apenas estudos mais amplos e de longo prazo poderão confirmar a eficácia e a segurança desses tratamentos em diferentes doenças.




