O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um conjunto de medidas que soma R$ 143,7 bilhões em 2026, ano eleitoral. O pacote inclui ampliação de crédito, subsídios, renúncias fiscais e reforço em programas sociais, o que gerou questionamentos de economistas sobre os impactos fiscais e inflacionários das iniciativas.
O levantamento foi feito pela Folha de S.Paulo com base nos anúncios realizados pelo Palácio do Planalto nos últimos meses.
Crédito concentra maior parte dos recursos
A maior parte das medidas, cerca de R$ 76,2 bilhões, prevê ampliação de linhas de crédito para caminhoneiros, microempreendedores individuais, estudantes do Fies, além de empresas ligadas aos setores de habitação, agronegócio e indústria.
Além disso, o governo destinou até R$ 32 bilhões em subsídios e renúncias fiscais para reduzir o impacto da alta dos combustíveis, em meio à escalada do preço internacional do petróleo provocada pela guerra no Irã.
O pacote também inclui a liberação de R$ 15,2 bilhões do FGTS e outros R$ 5,3 bilhões para o programa Gás do Povo, voltado às famílias de baixa renda.
Desenrola 2 terá aporte bilionário
Para viabilizar o Desenrola 2, o governo anunciou ainda um aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil. O fundo servirá como garantia para operações de renegociação de dívidas realizadas pelos bancos.
Governo nega caráter eleitoral das medidas
Nos últimos meses, o Planalto acelerou os anúncios em meio ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Apesar disso, integrantes da equipe econômica negam que as medidas tenham caráter eleitoreiro.
Segundo os ministros Dario Durigan e Bruno Moretti, o pacote busca responder ao alto endividamento das famílias e aos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio.
O Ministério da Fazenda afirmou que o governo aprovou 72 medidas econômicas desde janeiro de 2023 e defendeu que várias delas têm caráter estrutural, como a reforma tributária, o arcabouço fiscal e mudanças na tributação de offshores e fundos exclusivos.
Economistas veem risco para inflação e juros
Especialistas ouvidos pela reportagem da Folha afirmam que o pacote pode aumentar a pressão inflacionária e dificultar a redução da taxa básica de juros pelo Banco Central do Brasil.
O economista Tiago Sbardelotto afirmou que recursos destinados a fundos e garantias de crédito acabam ampliando a circulação de renda e crédito na economia.
Já Jeferson Bittencourt avaliou que existe um descompasso entre os estímulos do governo e a política monetária do Banco Central. Segundo ele, enquanto o BC tenta desacelerar a economia para conter a inflação, o governo amplia os incentivos ao consumo.
Economistas também criticam o alcance das iniciativas, especialmente os subsídios aos combustíveis, que acabam beneficiando públicos de renda mais alta. Para Marcos Mendes, o conjunto de ações tem eficácia limitada e aumenta os riscos fiscais.
Segundo ele, o governo optou por ampliar gastos públicos em vez de usar os recursos para reduzir a dívida pública, o que pode gerar mais inflação, juros elevados e menor crescimento econômico no médio prazo.
Lula cobra mais medidas da equipe econômica
Mesmo diante das críticas, o presidente Lula segue pressionando auxiliares por novos anúncios. Durante discurso recente, o presidente brincou com a capacidade do ministro Bruno Moretti de encontrar espaço no orçamento para financiar programas do governo.
Segundo Lula, o ministro consegue “futucar no arquivo morto das possibilidades” para liberar recursos destinados às iniciativas do Planalto.




