A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República ganhou uma estrutura mais organizada e passou a operar com funções definidas entre aliados próximos do parlamentar. Principal nome da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio montou uma equipe dividida em quatro áreas: programa de governo, jurídico, coordenação do dia a dia e comunicação.
O senador Rogério Marinho assumiu o papel central na articulação política e na coordenação geral da pré-campanha. Segundo aliados, Marinho atua na interlocução com setores do Congresso, empresários e representantes do funcionalismo público. Além disso, ele também trabalha na montagem de palanques estaduais e na ampliação da base política do projeto eleitoral.
Apesar da posição de destaque, integrantes da equipe afirmam que o senador evita a comparação com o modelo adotado por Jair Bolsonaro em 2018, quando chamou Paulo Guedes de “Posto Ipiranga” da campanha.
A estratégia atual distribui as atribuições entre diferentes núcleos.
Equipe foi dividida em quatro áreas
De acordo com informações do Poder 360, o núcleo político coordenado por Rogério Marinho passou a atuar com subdivisões específicas.
Na área de programa de governo, o responsável é Eduardo Cury, que conduz discussões técnicas e articulações com especialistas, acadêmicos e gestores públicos.
Já o setor jurídico ficou sob responsabilidade de Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet.
A coordenação do dia a dia da campanha está com Vicente Santini, que organiza agendas, encontros políticos e a integração entre os núcleos.
Na comunicação, o principal nome é Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”, embora a coordenação formal da área ainda esteja em definição.
Equipe mantém propostas sob sigilo
Ainda de acordo com a reportagem, o grupo responsável pelo programa de governo já realizou cerca de 80 reuniões desde setembro do ano passado. Segundo integrantes da pré-campanha, a equipe decidiu manter as propostas sob reserva para evitar desgaste antecipado durante o processo eleitoral.
Aliados citam como exemplo a campanha presidencial de 2014, quando propostas da então candidata Marina Silva passaram a ser alvo de ataques publicitários do PT.
Estratégia jurídica será mais agressiva
No núcleo jurídico, a equipe trabalha no levantamento de precedentes eleitorais, especialmente relacionados às eleições de 2022. A ideia é adotar uma atuação mais intensa na Justiça Eleitoral, diferente da estratégia usada por Jair Bolsonaro em 2022, quando acionou menos os tribunais durante a disputa contra Lula.
Comunicação aposta em imagem de renovação
A pré-campanha também iniciou testes de narrativas em pesquisas qualitativas. Entre os slogans avaliados aparece a frase “meu amigo Flávio”, usada para aproximar o senador do eleitorado.
Outro eixo de comunicação faz comparações simbólicas entre Flávio Bolsonaro e Lula. Segundo relatos da equipe, participantes de pesquisas associaram Lula a um carro clássico, porém antigo, enquanto Flávio aparece como uma alternativa mais moderna, mas ainda cercada de dúvidas.
A estratégia da campanha será transformar essa percepção de novidade em uma imagem de confiança e estabilidade sem perder o discurso de renovação política.




