Horário do treino faz diferença? Estudo aponta ganhos maiores quando há sintonia com o corpo

A prática regular de atividade física segue como uma das principais recomendações para a saúde cardiovascular e prevenção de doenças metabólicas. Um novo estudo, no entanto, indica que não apenas o exercício em si, mas também o horário em que ele é realizado pode influenciar os resultados.

Publicada em 14 de abril na revista científica Open Heart, a pesquisa sugere que alinhar o treino ao relógio biológico individual — conhecido como cronotipo — pode potencializar os benefícios à saúde.

O ensaio clínico randomizado envolveu 150 adultos sedentários, com idades entre 40 e 60 anos, todos com ao menos um fator de risco cardiovascular, como hipertensão, sobrepeso ou obesidade. Ao final do acompanhamento, 134 participantes concluíram todas as etapas do programa.

Para definir o cronotipo, os voluntários responderam a um questionário específico e tiveram a temperatura corporal monitorada por 48 horas. O conceito se refere à tendência natural de cada pessoa apresentar melhor desempenho em determinados períodos do dia, seja pela manhã, à tarde ou à noite.

Com base nesse mapeamento, os participantes foram divididos em dois grupos: um treinou em horários compatíveis com o próprio perfil biológico, enquanto o outro realizou as atividades em períodos desalinhados ao seu relógio interno.

Após 12 semanas, com um total de 60 sessões de exercício, ambos os grupos apresentaram melhora geral. Os resultados mais expressivos, porém, foram observados entre aqueles que se exercitaram em sintonia com o cronotipo.

De acordo com os pesquisadores, esse grupo registrou avanços superiores em indicadores como pressão arterial, glicemia em jejum, colesterol LDL, variabilidade da frequência cardíaca, capacidade aeróbica (VO₂ máximo) e qualidade do sono.

Na prática, os achados não apontam para um horário universalmente ideal para a atividade física. A conclusão é que o melhor momento varia de acordo com o organismo de cada indivíduo. Observar períodos de maior disposição, constância e recuperação pode contribuir para uma rotina mais eficiente.

Especialistas ressaltam, no entanto, que a regularidade continua sendo o fator mais relevante. Ainda assim, os dados indicam que, quando possível, adaptar o horário do exercício ao próprio ritmo biológico pode trazer ganhos adicionais sem custos extras.

Com informações do Metrópoles

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