O União Brasil vai liberar seus filiados para ocupar cargos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão será anunciada pelo presidente nacional da legenda, Antônio Rueda, na próxima semana, e deve facilitar a retomada das conversas entre o Planalto e diferentes grupos do partido. A informação é da Folha de S.Paulo.
A medida representa uma mudança na posição da sigla, que havia rompido relações com o governo federal em setembro de 2025 e passado a integrar a oposição. No segundo turno da eleição presidencial, o partido apoiou Flávio Bolsonaro (PL).
A liberação também ocorre em meio a uma tentativa de reposicionamento político da legenda. Integrantes do União Brasil defendem que o partido se apresente como uma alternativa de centro, mais distante do bolsonarismo.
União Brasil rompeu com o governo em 2025
Em setembro de 2025, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou o desembarque do governo Lula. Na ocasião, os filiados com mandato eletivo foram orientados a deixar os cargos que ocupavam na estrutura federal.
A decisão provocou divergências internas. O então ministro do Turismo, Celso Sabino, resistiu à determinação e acabou expulso do União Brasil. Ele deixou a legenda e se filiou ao PDT. A pasta passou por uma mudança de comando para preservar o apoio da ala governista do partido.
A aproximação com Flávio Bolsonaro ganhou força durante a campanha presidencial. Após o resultado do primeiro turno, quando o candidato do PL passou a ser apontado como favorito, integrantes da federação União Progressista esperavam receber espaço em um eventual governo. Entre as possibilidades estava o Ministério da Segurança Pública, para o qual era cotado o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP).
Reaproximação passa pela disputa no Senado
Com a vitória de Lula, o União Brasil voltou suas atenções para a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado. O parlamentar conta com o apoio do governo e de Antônio Rueda para permanecer no comando da Casa, mas enfrenta a movimentação do PL para assumir o posto em 2027.
O partido de Flávio Bolsonaro pretende conquistar a presidência do Senado para dificultar a aprovação de pautas do governo e impulsionar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre, por sua vez, é aliado do Planalto e tem atuado contra o avanço dessas iniciativas.
A composição do Congresso a partir de 2027 também influencia as articulações. O PL terá 121 deputados federais e 29 senadores. O União Brasil contará com 46 cadeiras na Câmara, enquanto a federação União Progressista reunirá 87 deputados. Diante de uma base governista reduzida, o PT deve buscar ampliar o diálogo com a legenda.
Partido se distancia de Flávio Bolsonaro
A reaproximação com o governo também ocorre após o União Brasil demonstrar insatisfação com a postura de Flávio Bolsonaro depois da derrota eleitoral. O senador viajou para os Estados Unidos, onde foi recebido pelo governo de Donald Trump, e divulgou uma carta na qual se declarou o verdadeiro presidente eleito. Posteriormente, o texto foi alterado, e ele passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Além da divergência com o candidato do PL e do interesse comum na permanência de Alcolumbre no Senado, a legenda busca redefinir sua posição no cenário político nacional. A liberação dos filiados para integrar o governo deve abrir espaço para negociações com o Planalto, embora ainda não existam conversas concretas sobre cargos.
A expectativa é que o União Brasil seja contemplado com espaços na Esplanada dos Ministérios. O PP, também integrante da federação, ainda não definiu qual posição adotará. O partido é presidido pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Nesta semana, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também liberou os filiados para participar do governo Lula. A legenda permaneceu neutra na eleição presidencial e espera ter espaço na composição ministerial.
Com informações da Folha de S.Paulo



