O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em queda na manhã desta sexta-feira (30), pelo quinto pregão consecutivo, e pode encerrar a semana com o maior recuo da série histórica. O movimento acompanha a desvalorização das bolsas do Ocidente e a queda de 1,18% do minério de ferro em Dalian, na China. Pesam também as preocupações com a política fiscal brasileira em 2027 e os balanços de grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos.
Índice acumula queda de 17,5% na semana
Segundo o Estadão Conteúdo, com base no fechamento de quinta-feira (29), o Ibovespa acumula queda de 17,5% na semana. Se o movimento se confirmar até o fim do pregão, será o maior recuo semanal da série histórica. O recorde atual é a queda de 15,6% na semana encerrada em 13 de março de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Às 11h42, o índice caía 0,42%, aos 168.480,95 pontos. Na mínima do dia, recuou 1,29%, aos 167.007,57 pontos, cerca de 2.200 pontos abaixo da máxima (169.184,60). Em Nova York, as bolsas recuavam até 2,12% (Nasdaq). O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos EUA, reduzia a queda de cerca de 2% para 0,97%.
Na quinta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, a quarta sessão consecutiva de queda.
Incerteza fiscal e dúvidas sobre a equipe econômica
“Podemos ter a pior semana da história”, afirmou Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos. Segundo ele, além do quadro incerto no exterior, o cenário no Brasil segue indefinido por causa das preocupações fiscais para o próximo ano, quando começa o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Não houve nenhuma declaração por parte do governo, apaziguando o humor dos mercados, no sentido de que fará algum ajuste”, disse.
Segundo analistas, falta um plano fiscal considerado crível, e ainda não há sinais sobre quem integrará a equipe econômica a partir de 2027.
Para Mendes, o cenário externo adverso também afeta o Brasil. “Sem perspectiva de mudança fiscal, a tendência é vermos os juros mais altos. A sensação é que o comportamento do câmbio será o fiel da balança para o governo fazer alguma coisa, de se aproximar do mercado, de ter uma perspectiva fiscal”, afirmou.
Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, avalia que não há um plano de ajuste fiscal em discussão, apenas a perspectiva de medidas pontuais para o cumprimento das metas fiscais. “Nos últimos dias, diversos expoentes do governo fizeram declarações públicas contrárias a qualquer ajuste”, disse.
Balanços nos EUA, petróleo e juros
O recuo no exterior ocorre durante a temporada de balanços corporativos e com a alta do petróleo, que eleva os temores inflacionários e reforça a perspectiva de juros globais mais altos. Os resultados da Amazon, cujo lucro e receita ficaram abaixo das expectativas, e da Intel desagradaram aos investidores. Em nota, Campos Neto afirmou que os números reforçam a preocupação com o impacto dos pesados investimentos em inteligência artificial no caixa das empresas.
Vale, Usiminas e Petrobras no radar
Entre os balanços do dia, a Usiminas (USIM5) apresentou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões apurado no mesmo período de 2025. As ações caíam 3,47% por volta das 11h40.
O lucro líquido da Vale recuou 53% no período, dentro do previsto. Os papéis da empresa subiam 4,73%. A Klabin também está entre as companhias acompanhadas.
A Petrobras (PETR4) confirmou a terceira descoberta de petróleo no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial, e negou que haja decisão sobre reajustes nos preços da gasolina e do diesel. As ações tinham alta de 1,67% (PN) e 1,71% (ON).
G20 e agenda
Os investidores também acompanham o G20, hoje e amanhã. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Atlanta, nos Estados Unidos, para a reunião de chanceleres do bloco. Segundo a agenda, o encontro é o primeiro compromisso entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde as eleições no Brasil.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.
Com informações do Estadão Conteúdo



