O pacote de medidas anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com valores previstos para 2026 e 2027, soma R$ 290 bilhões e aumenta a pressão sobre a dívida pública. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, são R$ 234,9 bilhões previstos para este ano e R$ 55,1 bilhões para 2027.
Em agosto, a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar em cinco anos.
Medidas incluem crédito e benefícios
O pacote reúne subsídios aos combustíveis, linhas de crédito, incentivos à compra de imóveis e veículos, ampliação do Pé-de-Meia para universitários, proposta de repasse de R$ 5 mil para microempreendedores individuais (MEIs) e transporte público gratuito aos fins de semana.
Também inclui a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, cuja renúncia fiscal foi estimada em R$ 28 bilhões em 2026.
Governo contesta cálculo
Os ministérios do Planejamento e da Fazenda afirmam que os valores não representam integralmente novas despesas e que as medidas têm diferentes fontes de financiamento. Segundo o governo, os ajustes necessários serão encaminhados ao Congresso, respeitando as metas fiscais.
Próximo governo terá desafio fiscal
Cálculos preliminares da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, indicam que o pacote pode elevar a dívida bruta em 1,2 ponto percentual do PIB até o fim de 2027.
A instituição estima que será necessário um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões nas contas públicas para estabilizar a dívida. Somente o Orçamento de 2027 precisará de ajustes de ao menos R$ 39,9 bilhões para acomodar medidas anunciadas após o envio da proposta ao Congresso.
Propostas eleitorais também entram no debate
Integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) criticam a política fiscal de Lula, mas propostas do candidato, como aumento real para aposentados e redução de impostos, também podem elevar despesas ou reduzir receitas.
Economistas avaliam que o próximo governo precisará rever gastos, renúncias fiscais e investimentos para equilibrar as contas públicas e conter o avanço da dívida.
Com informações da Folha de S.Paulo



