Protestos contra custo de vida deixam um manifestante morto e milhares de presos na França

Foto: REUTERS/Abdul Saboor

Novos confrontos foram registrados em Paris neste domingo (18), após uma onda de protestos contra o aumento do custo de vida que tomou cidades da França no sábado (17). As manifestações terminaram em episódios de violência, com saques, incêndios e danos a estabelecimentos comerciais. Um manifestante morreu, e milhares de pessoas foram presas em todo o país.

Os protestos começaram no mês passado, motivados por problemas nas escolas e pela falta de professores nos subúrbios operários, mas ganharam dimensão nacional e passaram a reunir críticas à desigualdade social, aos cortes nos gastos públicos e à alta dos preços.

No sábado, mais de 500 mil pessoas participaram de marchas em dezenas de cidades. Embora muitos atos tenham ocorrido pacificamente, grupos violentos entraram em confronto com a polícia, atacaram prédios públicos e saquearam lojas e supermercados. Em Limoges, a sede da prefeitura foi incendiada e ficou amplamente destruída.

Segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez, mais de 2 mil pessoas foram presas durante as manifestações, e mais de 600 policiais ficaram feridos. Em Bordeaux, até 100 lojas foram saqueadas, segundo o prefeito Thomas Cazenave. Já a rede Carrefour informou que 50 de suas lojas foram danificadas, 20 delas saqueadas, com prejuízos estimados em dezenas de milhões de euros.

A violência aumentou a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e seu governo, às vésperas da eleição presidencial prevista para 2027. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os distúrbios a grupos de extrema esquerda e criminosos. O governo também prometeu apoio aos comerciantes afetados e afirmou que os responsáveis pelos danos serão responsabilizados.

Em Paris, a polícia voltou a usar gás lacrimogêneo na Place de la République neste domingo, enquanto bicicletas foram incendiadas. Macron tinha pronunciamento à nação previsto para as 20h, no horário local, para falar sobre a situação.

A onda de protestos ocorre em meio ao descontentamento com a economia, a redução dos serviços públicos e o aumento do custo de vida, fatores que ampliaram a pressão política sobre o governo francês.

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