Vorcaro encomendou vídeos para atacar os jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, aponta PF

Foto: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, encomendou vídeos para atacar os jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, do jornal O Globo, após reportagens críticas às operações financeiras da instituição. As conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) indicam que a estratégia buscava desacreditar os profissionais sem identificar os responsáveis pelas produções.

As mensagens mostram trocas entre Vorcaro e Ana Lúcia Matos, então superintendente de Comunicação e Marketing do banco. Em março de 2025, ela apresentou sugestões de roteiros com ataques pessoais aos jornalistas. Vorcaro fez ajustes nos textos e aprovou algumas propostas, mas criticou um dos vídeos enviados.

Em uma das conversas, o banqueiro sugeriu evitar referências explícitas ao Globo e afirmou que a produção não deveria deixar evidente a participação do banco. Em outra troca de mensagens, pediu a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que Lauro Jardim fosse agredido durante um assalto forjado.

Vorcaro também acionou o publicitário Thiago Miranda para buscar informações sobre a vida pessoal de Malu Gaspar. Segundo as mensagens interceptadas pela PF, o objetivo era encontrar algum elemento pessoal que pudesse ser usado contra a jornalista. A tentativa, porém, não teria encontrado informações relevantes.

Na sexta-feira (16), a defesa de Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação sobre o vazamento das conversas privadas. Os advogados afirmaram que o banqueiro está sendo submetido a um “processo de linchamento público”.

Ana Lúcia Matos, que deixou o banco em dezembro de 2025, declarou que não teve acesso ao material original e, por isso, não pode confirmar a autenticidade das mensagens divulgadas. Ela também levantou a possibilidade de os trechos terem sido selecionados e editados fora de contexto e afirmou estar exposta publicamente sem ter acesso aos elementos necessários para se defender.

Matos não é investigada no caso relacionado às suspeitas de fraude envolvendo a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

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