Promotores, policiais e auditores fiscais cumprem nesta quinta-feira (24) buscas em 32 locais de onze cidades, em seis estados e no Distrito Federal. A operação investiga lavagem de dinheiro da máfia dos combustíveis, acusada de ter ligações com o PCC.
Os alvos são 40, entre eles o sócio do Banco Genial, Humberto Tupinambá, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, delator do caso Banco Master. Também é alvo da Operação Crédito Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, o Grupo Entre, que Daniel Vorcaro usou para enviar US$ 12,33 milhões ao filme Dark Horse. A informação é do Estadão
O Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, pediu as buscas, e o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, as autorizou. Elas ocorrem em SP, RJ, MG, GO, MS, SC e no DF.
A ação usa provas da primeira fase da Operação Carbono Oculto, como contratos, mensagens e áudios de celulares e computadores. Segundo os investigadores, o material mostra como Beto Louco e Mohamad Mourad, o Primo, esconderam patrimônio para comprar a distribuidora Terrana.
A Terrana, do Rio de Janeiro, estava entre as dez maiores distribuidoras do país, e a compra pode ter custado até R$ 153 milhões. Beto Louco e Primo estão foragidos desde 28 de agosto de 2025, quando a prisão deles foi decretada no Paraná.
A Terrana é o nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis. Em 2024, tinha faturamento mensal de R$ 445 milhões, e a Justiça do Rio suspendeu suas atividades em 9 de julho.
O Gaeco afirma que o esquema envolve nove fundos de investimento e 27 empresas, 16 delas com bens indisponíveis por decisão da Vara de Catanduva. A dupla teria usado fundos para esconder a propriedade de imóveis, como já fazia com a Reag Investimentos.
A Reag foi liquidada pelo Banco Central após a Carbono Oculto. O dono, João Carlos Mansur, fechou acordo de colaboração premiada com a PGR no início do mês.
Segundo os promotores, Humberto Tupinambá e o advogado Rogério Garcia Peres, da Altinvest, montaram a estrutura de lavagem. O executivo Paulo Narcélio Simões do Amaral teria emprestado o nome a duas holdings, Branson e Berna, por 0,75% da operação e R$ 100 mil mensais.
Mensagens no celular de Narcélio indicam que o objetivo era impedir que a Tramp Oil, dona da Terrana, e a ANP soubessem quem comprava a distribuidora. O Grupo Aster enviou R$ 100 milhões à Usina Itajobi, que emprestou o valor ao Genial por meio do fundo Radford, e o banco o repassou às holdings.
O Banco Genial informou que o Radford tinha um único investidor e que aprovou o crédito pela reputação de Narcélio. Disse que não notou que as empresas tinham capital de R$ 1 mil e o mesmo endereço do grupo de Primo, e que renunciou à administração do fundo após a Carbono Oculto. Segundo o Gaeco, as mensagens indicam a participação dos irmãos Tupinambá e mostram que Primo decidia na Terrana.



