Entidades empresariais de diferentes setores se mobilizaram em torno de um manifesto que pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma análise pública dos fatos relacionados à atual crise institucional brasileira. A articulação é liderada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e, até o momento, reúne a assinatura de 2.650 entidades representativas.
Segundo informações do Estadão/Broadcast, o documento afirma que o Brasil atravessa um período de grande tensão institucional e sustenta que o Supremo, apesar de exercer o papel de guardião da Constituição, também deve estar submetido a mecanismos de transparência e prestação de contas.
O manifesto defende que a legitimidade do Judiciário depende de princípios como imparcialidade, transparência e fundamentação das decisões. As entidades argumentam que eventuais questionamentos sobre a atuação da Corte podem afetar a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a estabilidade social.
No documento, o setor empresarial pede que o plenário do STF examine os fatos em sessão pública, com urgência e sem corporativismo. A manifestação também ressalta que nenhum agente público deve estar acima da lei.
A mobilização ocorre após a divulgação, pela Polícia Federal, de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes. De acordo com as informações divulgadas, os diálogos mencionam aeronaves e contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O conteúdo das mensagens foi revelado inicialmente pelo Estadão/Broadcast.
Entidades de vários setores aderiram
A articulação buscou apoio de representantes da indústria automobilística, construção civil, mercado imobiliário, setor financeiro, agronegócio, comércio, cooperativas, indústria têxtil e advocacia.
Entre as entidades que confirmaram adesão estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e o Sindicato Nacional da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares (Sinfavea).
Apesar da adesão expressiva, algumas entidades demonstraram preocupação com a possibilidade de o manifesto ser interpretado como uma manifestação político-partidária, especialmente diante da proximidade das eleições. Também houve receio de eventuais consequências em processos que tramitam no Supremo.
Versão inicial foi modificada
Antes do documento atual, circulou entre representantes empresariais uma versão preliminar intitulada “Manifesto pela Justiça Brasileira”. O texto defendia, entre outros pontos, que autoridades suspeitas ou acusadas fossem afastadas da análise de processos relacionados a elas.
A proposta, entretanto, encontrou resistência entre integrantes do setor privado e acabou sendo abandonada. A versão final adotou uma abordagem diferente, concentrada no pedido para que o plenário do STF analise publicamente os fatos e se manifeste sobre o cenário.
De acordo com interlocutores ouvidos pelo Estadão/Broadcast, a intenção dos organizadores é evitar o agravamento da crise política e não ultrapassar as prerrogativas do setor empresarial.
Histórico de mobilizações da Fiesp
A Fiesp já participou de outras mobilizações envolvendo temas políticos e institucionais. Em 2022, a entidade esteve à frente do manifesto “Em defesa da democracia e da Justiça”, que contou com a participação de organizações empresariais, financeiras e da sociedade civil.
Em 2021, durante a gestão de Paulo Skaf, a federação também lançou o movimento “A Praça é dos Três Poderes”, defendendo a independência e a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário.



