Economia vira maior desafio de Lula em 2026, enquanto Flávio explora alta de preços

Foto: Pedro Ladeira

A percepção dos eleitores sobre os preços dos produtos, o endividamento e o poder de compra pode representar um desafio maior para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que as acusações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A avaliação é compartilhada por integrantes dos grupos político de Lula e de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (31).

A economia passou a ocupar espaço central na disputa entre Lula e Flávio, especialmente após a crise enfrentada pelo Grupo Casas Bahia e o impacto dos juros elevados sobre empresas e consumidores. O governo petista pretende destacar indicadores considerados positivos, como a baixa taxa de desemprego, os níveis de renda e o controle da inflação. Por outro lado, reconhece que a taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, contribui para aumentar o custo das dívidas de famílias e empresas.

O cenário econômico também é explorado pela oposição. Flávio Bolsonaro tem utilizado o preço dos alimentos para questionar o poder de compra dos brasileiros e associar as dificuldades financeiras à gestão de Lula. Nas redes sociais, aliados do senador passaram a divulgar vídeos em supermercados, enquanto integrantes do governo respondem apresentando preços e justificativas para as variações de determinados produtos.

A crise das Casas Bahia entrou nesse embate como um exemplo utilizado pelo grupo bolsonarista para sustentar a tese de que os juros elevados estariam pressionando empresas brasileiras. Flávio chegou a visitar uma unidade da varejista que encerrou as atividades em Brasília e passou a relacionar o endividamento das famílias à situação das contas públicas.

As acusações contra Lulinha também continuam sendo exploradas politicamente. Ele é citado em suspeitas relacionadas a uma suposta tentativa de intermediar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, em atuação atribuída à lobista Roberta Luchsinger. Fábio Luís nega qualquer irregularidade.

Na avaliação de políticos ouvidos pela Folha de S.Paulo, porém, o caso envolvendo o filho do presidente, considerando as informações disponíveis até o momento, teria maior potencial para dificultar a conquista de novos eleitores do que provocar uma perda significativa da atual base de apoio de Lula. Já a avaliação sobre a economia tende a atingir diretamente uma parcela maior do eleitorado.

A disputa também ocorre em meio à preocupação com a dívida pública, que alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para os aliados de Lula, a estratégia será aproximar os resultados econômicos do cotidiano da população, principalmente por meio de indicadores de emprego, renda e inflação.

Na corrida presidencial, a diferença entre Lula e Flávio também aparece apertada nas pesquisas. De acordo com o último levantamento Datafolha citado pela reportagem, Lula registra 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, os números são de 47% para o petista e 43% para o senador, configurando empate técnico no limite da margem de erro.

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