O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou a pessoas próximas que não vê espaço, neste momento, para uma trégua com a Polícia Federal (PF) nas divergências relacionadas às investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A informação é da Folha de S.Paulo.
O presidente do STF, Edson Fachin, tem buscado reduzir a tensão entre o ministro e a PF. Ele se reuniu com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e com integrantes do governo para tentar construir uma solução para o conflito.
Mendonça critica a condução das investigações sobre as fraudes no INSS e questiona mudanças nas equipes responsáveis pelos inquéritos sem comunicação prévia ao STF. A PF, por sua vez, considera que algumas decisões do ministro interferem na autonomia da instituição.
A tensão aumentou após Mendonça determinar que todos os atos das investigações fossem anexados ao processo sob sua relatoria. A medida gerou reação da cúpula da PF, que divulgou uma nota defendendo a independência técnica e a autonomia da corporação.
O diretor-geral da PF também pediu a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) contra as medidas determinadas pelo ministro. O advogado-geral da União, Jorge Messias, porém, avalia que o conflito deve ser resolvido por meio de articulação política, e não por um recurso judicial.
As investigações envolvem suspeitas de tráfico de influência relacionadas a Lulinha. A defesa do filho do presidente Lula afirma que as acusações são baseadas em ilações e que haveria motivação política nas apurações.
Em entrevista à TV Globo na quinta-feira (27), Lula afirmou que as acusações contra o filho precisam ser esclarecidas e negou qualquer interferência do governo para protegê-lo.



