Trabalhar como motorista de aplicativo exige um investimento mensal superior a R$ 5 mil, segundo levantamento do Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O estudo estima que um profissional com veículo próprio gaste cerca de R$ 5.566 por mês, enquanto quem utiliza carro alugado desembolsa aproximadamente R$ 5.706, considerando despesas com combustível, manutenção, depreciação, seguros e tributos.
Motoristas afirmam que os valores pagos pelas corridas muitas vezes não cobrem os custos da atividade. Além das despesas com combustível e manutenção, eles criticam as taxas cobradas pelas plataformas, que, segundo representantes da categoria, podem chegar a 40% do valor das viagens, além da falta de apoio para manutenção dos veículos e da possibilidade de bloqueios sem justificativa.
Entidades que representam os trabalhadores defendem a regulamentação do setor, com regras mais transparentes, proteção previdenciária, tarifa mínima e direito à ampla defesa em casos de suspensão das contas. A categoria também reivindica melhores condições de trabalho e maior participação nas decisões que envolvem a atividade.
Nos últimos anos, algumas demandas avançaram, como a criação de pontos de apoio para motoristas e entregadores, oferecendo espaços para descanso, alimentação e higiene durante a jornada. Novas unidades estão previstas em cidades da Região Metropolitana do Recife.
O levantamento do TST também aponta crescimento do endividamento entre motoristas, impulsionado pelo aumento dos custos da atividade e pelo acesso a linhas de crédito vinculadas aos ganhos obtidos nas plataformas. Dados do IBGE mostram que mais de 1,7 milhão de brasileiros trabalhavam em plataformas digitais de transporte e entrega em 2024, reforçando o debate sobre a necessidade de ampliar a proteção aos trabalhadores desse setor.
Com informações do Diário de Pernambuco



