Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve uma rotina de contatos telefônicos com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado na Operação Compliance Zero. Os dados constam em documentos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura a suposta relação do parlamentar com o banqueiro.
Segundo a investigação, foram registradas ao menos 74 chamadas de voz concluídas entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima entre 17 de novembro de 2023 e 25 de maio de 2025, totalizando mais de cinco horas e 30 minutos de conversas. As informações foram extraídas do celular do empresário, apreendido durante a operação policial.
De acordo com a PF, os investigadores identificaram uma “clara e reiterada preferência” dos dois por chamadas de voz em aplicativos de mensagens, em vez de comunicações por texto. Para a corporação, esse padrão reduz a rastreabilidade das conversas e é compatível com estratégias de contrainteligência atribuídas ao grupo investigado.
A Polícia Federal também afirma que a frequência das ligações reforça indícios de proximidade entre o senador e o empresário. As conversas ocorreram, segundo a investigação, paralelamente à suposta concessão de vantagens indevidas a Jaques Wagner, entre elas o uso de helicópteros, hospedagens na chamada “Ilha da Paixão”, compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.
Outro ponto apurado pela investigação é a suspeita de que Jaques Wagner tenha atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional, incluindo articulações relacionadas a uma proposta de emenda à Constituição que alteraria regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O senador é investigado no caso, e o relatório da PF integra o inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal.
Com informações do Metrópoles



