Câmara aprova mudança em comissão de disciplina em votação com menos de dois minutos

Foto: Acervo/Câmara dos Deputados

Câmara dos Deputados aprovou, em menos de dois minutos, uma mudança nas regras de funcionamento da comissão permanente de disciplina da Casa. O projeto de resolução foi apresentado pela Mesa Diretora na terça-feira (16) e votado poucas horas depois, em sessão com a maior parte dos parlamentares participando remotamente.

A proposta altera a resolução de 2012 que instituiu a comissão responsável por processos administrativos disciplinares envolvendo servidores da Câmara.

Mudanças na comissão

Pelas novas regras, caberá ao diretor-geral da Câmara designar os integrantes da comissão, escolher seu presidente e autorizar substituições de membros durante os trabalhos.

O texto também permite a recondução dos integrantes por tempo indeterminado e atribui ao diretor-geral competência para regulamentar a aplicação da própria resolução.

Segundo técnicos do Legislativo ouvidos pela reportagem, as alterações ampliam as atribuições concentradas no cargo de diretor-geral em relação ao funcionamento da comissão disciplinar.

Questionamentos

Os mesmos técnicos afirmam que a nova resolução não prevê uma fase preliminar de análise para avaliar denúncias antes da abertura de processos administrativos.

Na avaliação dessas fontes, a ausência desse procedimento, somada às novas competências atribuídas ao diretor-geral, pode impactar o funcionamento da comissão. A interpretação, no entanto, não consta do texto aprovado e reflete a avaliação dos servidores consultados pela reportagem.

Contexto

A votação ocorreu poucos dias após a divulgação de informações sobre o pagamento de aproximadamente R$ 23 mil em horas extras ao diretor-geral da Câmara referentes ao mês de março.

Após a divulgação desses dados, a comissão disciplinar instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta de um servidor que acessou os registros relacionados às horas extras.

Votação

A proposta recebeu votos contrários das bancadas do Psol, Novo e Missão. Durante a discussão em plenário, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) afirmou que a matéria poderia trazer impactos para os servidores da Casa e defendeu uma análise mais aprofundada antes da votação.

O Psol está fazendo uma avaliação desse texto com uma preocupação objetiva de que essa proposta representa um prejuízo aos trabalhadores da Casa, o que exigiria uma discussão mais profunda“, declarou.

Logo após a aprovação, a resolução foi promulgada pela Mesa Diretora.

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