A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) provocou reação entre líderes evangélicos que haviam apoiado a indicação. Apesar de lamentarem o resultado da votação no Senado, muitos atribuíram o desfecho ao desgaste político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não propriamente à atuação ou à capacidade jurídica do advogado-geral da União.
Messias não conseguiu os votos necessários para assumir a vaga no Supremo após resistência liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Embora parte das lideranças religiosas tenha apoiado sua chegada à Corte, o nome do AGU enfrentava resistência entre setores conservadores por causa da proximidade com Lula e do entendimento de que ele estaria alinhado à esquerda.
Lideranças dizem que desgaste do governo pesou
De acordo com informações apuradas pela Folha de S.Paulo, o bispo Robson Rodovalho afirmou que Jorge Messias teve um desempenho sólido durante a sabatina, mas acabou sendo atingido pela insatisfação política acumulada contra o governo federal. Segundo ele, “caíram no colo dele todas as insatisfações e promessas não cumpridas do governo”.
Rodovalho avaliou que o indicado tentou se aproximar de pautas conservadoras durante a audiência no Senado. Na ocasião, Messias declarou ser contra o aborto e explicou decisões tomadas pela AGU em temas sensíveis para a direita religiosa, como o parecer contrário a uma resolução do Conselho Federal de Medicina sobre aborto legal em gestações avançadas.
Além disso, o advogado-geral também comentou sua atuação nos processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. Durante a sabatina, afirmou que os pedidos de prisão ocorreram por obrigação institucional e não por motivação pessoal. “Não fiz com alegria, fiz com dor”, declarou.
Mesmo tendo apoiado a indicação, Rodovalho disse que lideranças evangélicas encaram a rejeição com tranquilidade, já que existe a possibilidade de um futuro presidente indicar outro nome para a vaga. “E pode não ser o Lula”, afirmou o religioso, que também preside o Conselho Nacional dos Conselhos de Pastores do Brasil.
Malafaia chama resultado de derrota de Lula
Ainda de acordo com a reportagem da Folha, o apóstolo César Augusto também lamentou a derrota, especialmente pela chance perdida de ampliar a presença evangélica no STF. Ainda assim, afirmou que o principal impacto político recai sobre o governo Lula. Para ele, os senadores não votaram necessariamente contra a capacidade técnica de Messias, mas contra o momento político vivido pelo presidente.
Já o pastor Silas Malafaia adotou um tom mais duro e classificou a rejeição como uma “derrota acachapante de Lula”. Segundo Malafaia, o resultado representa também um recado político ao STF e ao cenário atual do Judiciário brasileiro. O pastor afirmou acreditar que qualquer nome indicado por Lula enfrentaria resistência semelhante no Senado.
Antes da votação, Malafaia chegou a chamar Jorge Messias de “esquerdopata gospel”, mas evitou se posicionar diretamente contra a indicação por considerar que a escolha de ministros do Supremo é prerrogativa do presidente da República.
Juiz federal critica decisão do Senado
Em outra linha, o juiz federal William Douglas criticou a decisão do Senado e disse ter ficado “profundamente triste” com o resultado. Apesar de possuir perfil conservador e já ter sido cotado para o STF durante o governo Jair Bolsonaro, Douglas afirmou que divergências ideológicas não deveriam interferir na análise da capacidade técnica de um indicado.
Na avaliação dele, a Constituição garante ao presidente da República o direito de escolher ministros do Supremo, cabendo ao Senado barrar nomes apenas quando os requisitos constitucionais não forem cumpridos. Para o magistrado, a votação revelou que critérios políticos acabaram prevalecendo sobre aspectos jurídicos e técnicos.




