Caso Banco Master expõe crise institucional e pressão sobre autoridades

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O caso envolvendo o Banco Master provocou uma escalada de tensão institucional em Brasília no fim de 2025 e início de 2026. As investigações apontam uma série de movimentos coordenados que envolveram pressão sobre órgãos de controle, disputas jurídicas e atuação direta de investigados, como apontou o jornal Folha de S.Paulo.

Na virada do ano, o ministro Dias Toffoli acompanhou desdobramentos do caso enquanto ainda era relator do processo. Ele chegou a marcar uma acareação entre o empresário Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do Banco Central Ailton de Aquino, antes mesmo de depoimentos individuais — decisão considerada incomum.

Ao mesmo tempo, investigadores identificaram uma ofensiva liderada por Vorcaro, que, mesmo após prisão e soltura com tornozeleira eletrônica, passou a atuar para contestar decisões do Banco Central e pressionar autoridades. Essa atuação incluiu o apoio de escritórios de advocacia e movimentações em diferentes instâncias.

Atuação no TCU e reação do mercado

No Tribunal de Contas da União, o relator Jhonatan de Jesus determinou sigilo sobre o processo e defendeu inspeções no Banco Central, com respaldo do presidente Vital do Rêgo. A movimentação gerou desconforto interno, inclusive com críticas do ministro Walton Alencar.

Além disso, o subprocurador Lucas Furtado pediu apuração sobre a conduta do relator. Enquanto isso, o setor financeiro reagiu: associações e bancos divulgaram apoio público ao Banco Central para evitar o enfraquecimento da decisão de liquidar o Master.

Mudança no STF e avanço das investigações

Com o avanço das apurações, surgiram indícios de conexões entre o caso e pessoas próximas a autoridades. O cenário levou Dias Toffoli a deixar a relatoria em fevereiro, após pressão interna e apresentação de elementos pela Polícia Federal ao presidente do STF, Edson Fachin. O processo passou para André Mendonça.

As investigações também citaram contatos de Vorcaro com autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, que negou interferência. Já a advogada Viviane Barci teve seu escritório mencionado em documentos financeiros, o que foi contestado pela defesa.

Posteriormente, Vorcaro voltou a ser preso em nova fase da operação, acusado de organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. A Polícia Federal também apontou a existência de um grupo usado para intimidar adversários.

Atualmente, a investigação segue em andamento, com análise de grande volume de dados apreendidos. O caso é considerado um dos mais complexos já enfrentados pelas autoridades, tanto pelo volume de informações quanto pelo impacto institucional.

Com informações da Folha de S.Paulo

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