Maioria dos aliados de Lula evitam rever impeachment de Dilma dez anos depois

Foto: Eduardo Anizelli – 6.dez.23/Folhapress

Dez anos após o Impeachment de Dilma Rousseff, a maioria de políticos que apoiaram a cassação evita comentar o tema ou não demonstra arrependimento. Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) adota postura pragmática ao negociar alianças para as eleições de 2026.

Levantamento realizado pelo jornal Folha de S.Paulo com 19 lideranças políticas mostra que 12 não quiseram se manifestar ou não responderam, enquanto apenas dois declararam arrependimento pelo voto. Outros reconheceram fragilidade na justificativa do impeachment, mas sem rever a própria posição.

Entre os nomes ouvidos, há políticos que hoje integram ou já integraram o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de aliados em potencial para futuras disputas estaduais e ao Senado.

Aliados e ex-aliados divergem sobre o impeachment

Entre os nomes que hoje orbitam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin já classificou o impeachment como baseado em justificativas frágeis, embora não tenha declarado arrependimento explícito.

Outras lideranças com participação relevante no processo, como Marina Silva e Simone Tebet, defenderam a cassação na época e continuam atuando no cenário político nacional, inclusive em articulações com o atual governo.

Também aparecem nesse grupo figuras como Carlos Fávaro, André de Paula, André Fufuca e Juscelino Filho, que votaram pelo impeachment e, posteriormente, ocuparam cargos ministeriais.

Relações políticas se reconfiguram com o tempo

Alguns nomes que tiveram atritos com o PT passaram a se reaproximar. É o caso de Marta Suplicy, que deixou o partido antes do impeachment, votou pela cassação e retornou anos depois. Já Cristovam Buarque afirmou que, embora não se arrependa plenamente, reconhece ter cometido um erro sob a ótica política.

Outros nomes influentes também participaram do processo e hoje mantêm interlocução com o governo, como Renan Calheiros, Eduardo Braga, Eunício Oliveira, Omar Aziz e Davi Alcolumbre.

Arrependimento é exceção entre os citados

Entre os poucos que revisaram o posicionamento, a senadora Eliziane Gama afirmou que o voto foi um erro. Na mesma linha, o ex-deputado Floriano Pesaro classificou sua decisão como equivocada.

Já outros mantêm a posição adotada em 2016. É o caso de Acir Gurgacz e Dorinha Seabra, que afirmam não se arrepender e justificam o voto com base no cenário político e econômico da época.

Além deles, também são citados no contexto das articulações e avaliações políticas nomes como José Eduardo Cardozo — que atuou na defesa de Dilma — e o deputado José Guimarães, que hoje integra o núcleo político do governo.

Dessa forma, o impeachment segue como um marco controverso, mas perde espaço no debate atual. Na prática, a política avança com novas alianças, mesmo entre antigos adversários.

Com informações da Folha de S.Paulo

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