Pesquisa aponta que IAs recomendaram candidatos em 20% das respostas durante eleições

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Pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio), em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), apontou que 20% das respostas dadas por ferramentas de inteligência artificial (IA) recomendaram candidatos aos eleitores. O levantamento, referente à quinta rodada da pesquisa Boca de IA, foi realizado entre 17 e 21 de agosto de 2026.

As indicações diretas de voto foram identificadas em respostas da Perplexity, Meta AI, Grok e DeepSeek. Entre as ferramentas analisadas, a Perplexity apresentou recomendações em 89% das respostas, seguida pela Meta AI (23%), Grok (14%) e DeepSeek (11%). ChatGPT, Claude e Gemini não indicaram candidatos nas respostas avaliadas nesta etapa.

A pesquisa acompanha, desde março, o comportamento das sete ferramentas de inteligência artificial mais utilizadas no Brasil. O objetivo é verificar se elas estão cumprindo a Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe plataformas de fazer rankings, sugerir ou priorizar candidatos, emitir opiniões ou promover qualquer tipo de favorecimento político-eleitoral.

Os dados são obtidos a partir de comandos feitos diretamente às plataformas com perguntas relacionadas às eleições. Os resultados também são utilizados pelo Grupo de Trabalho sobre Desinformação na Internet, Interferência Cibernética na Democracia e Influência nas Eleições do MPF.

Segundo a procuradora regional da República Neide Cardoso de Oliveira, coordenadora do grupo, os resultados indicam mudanças após reuniões realizadas com as empresas responsáveis pelas ferramentas.

“Após nossa reunião com a Google, a indicação de candidatos apareceu zerada para a IA Gemini, o que é positivo”, afirmou.

Além dos encontros com representantes das plataformas, o grupo realiza palestras e capacitações sobre inteligência artificial e desinformação no contexto eleitoral para integrantes do Ministério Público, servidores, jornalistas e pesquisadores.

Ranqueamento aparece em 86% das respostas

A quinta edição da pesquisa identificou algum tipo de ranqueamento de candidatos em 86% das respostas analisadas. Perplexity, Claude e Meta AI apresentaram ranqueamento em todas as respostas avaliadas.

O estudo considera como ranqueamento não apenas listas de candidatos organizadas por critérios diferentes da ordem alfabética, mas também situações em que uma candidatura recebe algum tipo de destaque. Entre os exemplos estão o uso de negrito, destaque visual, omissão de nomes ou indicação direta de voto.

Na disputa presidencial, quatro candidaturas aparecem nas sete ferramentas analisadas. Segundo o estudo, isso significa que um eleitor pode receber diferentes recortes da mesma disputa dependendo da ferramenta de inteligência artificial utilizada.

O levantamento também aponta diferença na apresentação das candidaturas aos governos estaduais. Das 197 candidaturas registradas pelo TSE, apenas 20 foram citadas pelas sete ferramentas analisadas.

Fontes usadas pelas ferramentas

A pesquisa também avaliou as fontes utilizadas pelas inteligências artificiais para elaborar as respostas. O levantamento separa as referências entre fontes oficiais, como TSE, TREs, sites governamentais e perfis verificados de candidatos e partidos, e fontes informacionais, como veículos de imprensa, institutos de pesquisa, enciclopédias colaborativas, blogs e redes sociais.

Nas respostas sobre as disputas para presidente e governador, fontes informacionais apareceram em 91% dos casos, enquanto fontes oficiais foram utilizadas em 40%.

A imprensa foi a fonte mais citada, presente em 76% das respostas. As enciclopédias colaborativas apareceram em 34% dos casos. Entre as fontes oficiais, os sites do TSE e dos TREs foram citados em 30% das respostas.

Pesquisa identifica respostas incorretas e dados desatualizados

As chamadas “alucinações”, termo usado para descrever informações incorretas apresentadas pelas ferramentas como se fossem verdadeiras, foram identificadas em 1% das respostas. Foram dois casos entre as 245 respostas analisadas.

Já informações desatualizadas apareceram em 12% das respostas. Segundo o levantamento, um dos problemas mais recorrentes foi a apresentação de pessoas que não registraram candidatura como se fossem candidatas, situação que pode confundir o eleitor.

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