Oito em cada dez brasileiros são contrários à discussão de política dentro de espaços religiosos, enquanto nove em cada dez não querem a presença de candidatos em igrejas. Os dados são da pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil”, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest, com 15 mil entrevistas presenciais em todo o país.
Apesar da rejeição, o levantamento mostra que lideranças religiosas exerceram influência sobre parte dos eleitores nas eleições de 2022. Entre os entrevistados, 11% disseram ter recebido orientação de líderes religiosos para votar em Jair Bolsonaro (PL), enquanto 5% foram orientados a votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os evangélicos, a influência sobre o voto em Bolsonaro foi maior. O índice chegou a 20% entre protestantes e a 23% entre pentecostais, grupo que reúne denominações como as Assembleias de Deus, a Universal e a Quadrangular.
A pesquisa também aponta que a influência política ultrapassa os espaços físicos das igrejas. Apenas um em cada cinco entrevistados participa de grupos ou comunidades religiosas nas redes sociais. Entre essas pessoas, 48% disseram ver com frequência ou sempre conteúdos políticos em grupos do Facebook, enquanto 34% relataram o mesmo no WhatsApp.
Os dados também mostram diferenças entre as denominações. Na Igreja Universal, por exemplo, 27% dos fiéis afirmaram ter recebido recomendação de voto em Bolsonaro e 12% em Lula. Além disso, 26% disseram concordar que o pastor indique em quem votar, o dobro da média geral da pesquisa.
O levantamento indica ainda que não há um comportamento eleitoral uniforme entre os fiéis. A religião aparece como um dos fatores que podem influenciar as escolhas políticas, ao lado de outros aspectos sociais e individuais.
Na eleição de 2026, lideranças religiosas continuam sendo alvo de aproximação por parte de candidatos, enquanto o debate político também se mantém presente nas redes sociais ligadas a comunidades religiosas.
Com informações de O Globo



