Tem um assunto pendente que se tornou ainda mais incômodo desde que o nome de Lulinha apareceu nas investigações sobre as fraudes no INSS: o Senado mantém sob sigilo de 100 anos a lista de pessoas e gabinetes visitados por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, decidiu cobrar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e pediu que o presidente do Supremo identifique eventual processo sobre o sigilo e viabilize uma análise urgente da restrição.
Carlos Viana usou o empenho de Fachin pela abertura dos arquivos do Banco Master para expor a contradição. “Não pode haver um princípio de transparência para o Banco Master e outro para o escândalo do INSS”, afirmou.
A CPMI acabou em março sem aprovar relatório final. Desde então, aumentaram as suspeitas envolvendo o Careca, Lulinha e auxiliares de Lula. Mas, a transparência do Senado, que continua escondendo os nomes de quem abriu as portas para o lobista, continua blindada.
Quando a Casa decidiu esconder os registros, em 2025, ainda não havia vindo à tona boa parte do que hoje se sabe sobre as relações do lobista com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e personagens ligados ao governo do presidente Lula (PT).
De lá para cá, a Polícia Federal (PF) já abriu três investigações envolvendo o filho do presidente. Uma delas apura suspeitas de tráfico de influência em negócios que envolviam o Careca e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.
As investigações identificaram cinco transferências de R$300 mil, que somaram R$1,5 milhão, de uma empresa ligada ao Careca para a empresa da lobista Roberta. A PF também encontrou mensagens nas quais a empresária falava em buscar a atuação de Lulinha para ajudar o Careca do INSS em projetos na área da saúde.
O grupo tentou emplacar negócios milionários no Ministério da Saúde, entre eles uma proposta de R$627 milhões para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis. Os contratos não avançaram. As defesas negam irregularidades e afirmam que não houve interferência do filho do presidente.
Enquanto essas ligações eram reveladas, continuavam sob sigilo as datas, os horários e os gabinetes visitados por Camilo Antunes no Senado. A lista pode revelar quando o Careca esteve na Casa, por onde circulou e quais gabinetes visitou. A Advocacia do Senado alegou proteção de dados pessoais e prerrogativas parlamentares para negar o acesso.
Deu no Diário do Poder



