O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode terminar com o maior déficit nominal das últimas duas décadas. O indicador, que considera o resultado das contas públicas incluindo o pagamento de juros da dívida, pode chegar a 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB). A apuração O Globo.
O resultado supera os déficits registrados durante o governo Jair Bolsonaro, marcado pelos impactos da pandemia, e também o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, segundo cálculos do economista Fernando Montero, da Tullett Prebon Brasil.
Dados do Banco Central apontam que o déficit nominal acumulado em 12 meses está próximo de 10% do PIB. No mesmo período do ano anterior, o índice era de 7,82%.
Especialistas apontam que o aumento da dívida pública é um dos principais desafios das contas brasileiras. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), a dívida bruta pode passar de 82,5% do PIB em 2026 para 100% em 2032 e chegar a 115% em 2036.
O diretor-presidente da IFI, Marcus Pestana, atribui o cenário ao crescimento moderado da economia, aos juros elevados e à falta de geração de superávit primário.
Para o economista Felipe Salto, da Warren Investimentos, um déficit próximo de 10% do PIB é elevado para os padrões históricos do país. Ele destaca que antecipações de pagamentos de precatórios também influenciaram o resultado acumulado.
Economistas avaliam que a trajetória das despesas públicas e da dívida será determinante para o comportamento dos juros e da economia nos próximos anos. Entre as medidas citadas estão mudanças em regras de gastos obrigatórios e ajustes fiscais para tentar estabilizar as contas públicas.



