O Governo Federal prepara uma estratégia para reduzir os impactos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A principal frente de atuação será ampliar as exportações para outros mercados, como Japão, Canadá e Emirados Árabes Unidos, além de intensificar o diálogo com parceiros comerciais.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a sobretaxa atingirá cerca de 15% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 5,8 bilhões, com base nos dados de 2025. Considerando os números de 2024, antes da primeira rodada de tarifas anunciada pelo governo Donald Trump, o impacto seria maior, alcançando 18% das vendas brasileiras ao mercado americano, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões.
A medida foi oficializada na noite de quarta-feira (15), quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) publicou a resolução que estabelece a cobrança adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A tarifa foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e começa a valer na próxima quarta-feira (22).
Ao mesmo tempo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomará as consultas ao setor produtivo para identificar quais segmentos serão mais afetados e definir possíveis medidas de apoio. A estratégia repete o modelo adotado após a primeira rodada de tarifas, anunciada em julho de 2025.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que, apesar do endurecimento do discurso de autoridades da gestão Trump — como as recentes declarações do secretário de Estado, Marco Rubio —, os Estados Unidos não devem interromper as negociações com o Brasil. A expectativa, porém, é que o diálogo avance de forma mais lenta até a realização das eleições gerais de 2026.
Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende ampliar o apoio aos setores mais afetados por meio do programa Plano Brasil Soberano, voltado exclusivamente para linhas de crédito. O valor dos recursos ainda está sendo definido, mas a previsão é de que seja inferior aos R$ 15 bilhões disponibilizados na primeira etapa do programa.
Outra medida em análise é o uso da Lei da Reciprocidade Econômica. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que esse instrumento será adotado “no momento adequado”. A avaliação do governo é que uma eventual resposta às tarifas americanas deve ser cuidadosamente calibrada para evitar prejuízos adicionais à economia brasileira.
Entre as alternativas estudadas estão medidas que possam atingir áreas consideradas sensíveis para os Estados Unidos, como os setores de propriedade intelectual, incluindo patentes, e o mercado audiovisual, caso o Brasil decida responder às restrições impostas pelo governo americano.
Com informações do Poder Econômico



