PF investiga movimentações financeiras de Virginia Fonseca após alertas de relatórios do Coaf

Foto: Reprodução

A influenciadora digital Virginia Fonseca, que reúne 56,9 milhões de seguidores no Instagram e ocupa o posto de segunda mulher brasileira mais seguida na plataforma, é alvo de uma investigação da Polícia Federal que apura possíveis crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro. Segundo reportagem da revista piauí, repercutida por O Globo, relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas à influenciadora.

Embora tenha escapado de qualquer indiciamento na CPI das Bets, encerrada em junho de 2025 sem resultados efetivos, os documentos analisados pela PF mantiveram o alerta sobre operações financeiras relacionadas aos seus negócios.

PIX milionários e movimentações consideradas atípicas

De acordo com os relatórios, uma empresa de Virginia, da qual também participa o cantor Zé Felipe, recebeu R$ 22,4 milhões. Desse total, R$ 21,4 milhões foram transferidos por meio de mais de 40 operações via PIX.

A investigação aponta que os depósitos partiram de uma empresa instalada em um box alugado no interior de Santa Catarina, estrutura considerada incompatível com o volume financeiro movimentado. Outro ponto citado envolve a WPink, empresa de suplementos nutricionais ligada à influenciadora, cujos créditos e débitos teriam apresentado valores incompatíveis com o faturamento mensal documentado.

Segundo a apuração, essas movimentações são tratadas pela Polícia Federal como exemplos de operações financeiras atípicas que podem indicar irregularidades de natureza fiscal e financeira. A defesa de Virginia negou qualquer ilegalidade e afirmou que todas as operações foram devidamente comunicadas aos órgãos de controle.

Origem da We Pink entra no radar da reportagem

A reportagem também detalha a trajetória da We Pink, empresa de cosméticos que tem Virginia como sócia e principal garota-propaganda. A origem do negócio remonta à Pink Lash, especializada em serviços de sobrancelha e administrada pelo casal Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile.

Segundo a publicação, a empresa recebeu investimentos de Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC e viúva de Wagner Ferreira da Silva, apontado como integrante de uma facção criminosa em Santos. Karen afirmou à revista que o capital inicial do empreendimento teve origem em recursos ligados a uma liderança da organização criminosa.

Após o fim da sociedade, Samara e Thiago compraram a participação de Karen e, posteriormente, se associaram ao empresário chinês Chaopeng Tan para criar a We Pink. Conforme relatado, Virginia figura entre as sócias da empresa, que atualmente possui diversos pontos de venda no país.

Virginia diz confiar nos sócios

Questionada sobre a origem da Pink Lash e sua relação com a criação da We Pink, Virginia afirmou à revista que nunca recebeu motivos para desconfiar dos sócios.

A empresa também já foi alvo de ações do Ministério Público de Goiás em razão de reclamações de consumidores e de fiscalizações da Vigilância Sanitária de Goiás, que chegou a interditar um galpão da marca por condições consideradas inadequadas.

Estratégia digital e mobilização de fãs

A publicação ainda aborda a estrutura digital que impulsiona a popularidade da influenciadora. Segundo a reportagem, perfis de fãs divulgam mensalmente metas de engajamento para ampliar a repercussão de conteúdos relacionados a Virginia.

Os participantes que mais contribuem com vídeos e publicações sobre a influenciadora podem receber recompensas como curtidas da própria Virginia e produtos da We Pink.

Vaias no Maracanã voltam a colocar influenciadora em evidência

A divulgação da reportagem ocorreu na mesma semana em que Virginia voltou a ocupar espaço nas manchetes após ser vaiada por torcedores no Maracanã durante uma partida da Seleção Brasileira contra o Panamá.

Após o episódio, a influenciadora classificou a situação como uma “humilhação pública” e compartilhou uma mensagem nas redes sociais afirmando que a violência também se manifesta por meio da exposição e do constrangimento coletivo.

Em texto publicado nos Stories do Instagram, Virginia afirmou estar cansada dos julgamentos públicos. A situação relembrou outro episódio recente, quando também recebeu reações negativas durante sua estreia como rainha de bateria da Grande Rio no carnaval carioca.

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