Uma greve geral realizada nesta quarta-feira (3) em Portugal provocou impactos significativos no transporte aéreo e em diversos serviços públicos do país. A paralisação, convocada pela principal central sindical portuguesa, ocorre em protesto contra a proposta de reforma da legislação trabalhista apresentada pelo governo.
No setor aéreo, mais de 340 voos foram cancelados ao longo do dia, o que representa cerca de 65% das operações programadas, segundo informações divulgadas pelo sindicato dos tripulantes de cabine. Entre as rotas afetadas estão pelo menos 11 voos ligando Portugal ao Brasil.
Os aeroportos portugueses registraram interrupções em larga escala. Em Lisboa, principal porta de entrada de turistas no país, dezenas de partidas e chegadas foram canceladas, gerando transtornos para passageiros e companhias aéreas.
Turismo e transporte entre os setores mais afetados
A paralisação atinge um dos segmentos mais importantes da economia portuguesa. O turismo responde por aproximadamente 20% da atividade econômica do país, tendo os visitantes britânicos como principal grupo de turistas estrangeiros.
Além dos aeroportos, a greve também afetou sistemas de transporte público, hospitais, escolas e serviços municipais em várias cidades.
Em unidades de saúde, apenas atendimentos de urgência e serviços mínimos foram mantidos. Escolas registraram fechamento parcial ou funcionamento reduzido, enquanto prefeituras alertaram para possíveis atrasos em atividades como coleta de lixo e manutenção urbana.
Sindicatos contestam reforma trabalhista
O movimento é liderado pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), que critica o pacote de mudanças proposto pelo governo.
Segundo os sindicatos, as medidas reduzem garantias trabalhistas e ampliam a flexibilidade para contratação e demissão de empregados. Entre os pontos mais contestados estão a ampliação do prazo máximo para contratos temporários e a flexibilização das regras relacionadas à terceirização.
Já o governo argumenta que as alterações são necessárias para modernizar o mercado de trabalho e aumentar a competitividade da economia portuguesa.
A proposta é defendida pelo governo minoritário de centro-direita do primeiro-ministro Luís Montenegro, que conta com o apoio do partido Chega para aprovar as mudanças no Parlamento.
Protestos chegam ao Parlamento
Durante o dia, manifestantes se concentraram em frente ao Parlamento, em Lisboa. Houve registros de confronto entre participantes do ato e agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP).
Apesar da redução da oferta de transporte coletivo, as autoridades não registraram grandes congestionamentos na capital portuguesa.
Greves gerais de abrangência nacional são eventos pouco frequentes em Portugal. De acordo com registros históricos, esta é apenas a 12ª mobilização desse tipo realizada no país nos últimos 50 anos.




