O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) declarou nesta quarta-feira (27) que trabalha com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para evitar divisões na centro-direita em 2026. A declaração foi feita em Cuiabá, durante evento com empresários do agronegócio, um dia após os dois se reunirem em São Paulo para discutir alinhamento eleitoral. A informação é da Folha de São Paulo
Caiado afirmou que as conversas priorizam “convivência pacífica” entre pré-candidatos do mesmo espectro e descartou disputas internas: “De maneira alguma nós iremos cair na tese da cizânia, da separação.” O objetivo, segundo ele, é garantir que os nomes da centro-direita cheguem unidos ao segundo turno, sem conflitos que enfraqueçam o campo.
O encontro com Zema foi descrito por Caiado como movimento de coordenação política, sem definição imediata de chapa. Aliados avaliam que decisões concretas sobre composição devem ocorrer apenas próximo ao prazo de registro de candidaturas, em agosto.
Caiado reconheceu déficit de reconhecimento junto ao eleitorado e apostou nos debates televisivos para ampliar sua visibilidade nacional. “Hoje, uma parte significativa da população ainda não me conhece”, afirmou, ao indicar que a exposição na TV pode alterar esse cenário.
Ao ser questionado sobre a família Bolsonaro, o pré-candidato do PSD afirmou que responde apenas por sua própria trajetória de 40 anos na vida pública. “Nunca fui envolvido em denúncia de corrupção, de negociata, de rachadinhas”, declarou, em referência indireta a Flávio Bolsonaro (PL), denunciado na Justiça em 2020 pelo caso.
Sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Caiado adotou tom de cautela e reconheceu o peso político do ex-mandatário. “Goste ou não, ele é um homem que vai pra rua e tem prestígio”, disse, ao defender que desgastes individuais não devem gerar dispersão nas bases da centro-direita.
Zema, por sua vez, foi alvo de críticas de bolsonaristas após chamar de “imperdoável” a ligação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O episódio, revelado há duas semanas, gerou tensão entre os campos que agora tentam se aproximar.
Caiado defendeu que a prioridade neste estágio é preservar a unidade do campo e evitar o que chamou de “esgarçamento” do tecido político da centro-direita. “Se cada um tem um problema, ele que se explique. Isso não pode gerar discórdia ou dispersão entre as nossas bases”, afirmou.




