Zema critica Alcolumbre e o cita como “intocável” em caso Master

O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) declarou nesta segunda-feira, 25/05/2026, que é favorável a investigações sobre os R$ 400 milhões investidos pela Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master. A declaração ocorreu durante um evento da Amcham Brasil, em São Paulo, e surge em meio a questionamentos sobre a atuação de figuras políticas ligadas ao caso. A situação ganha relevo porque o ex-diretor-presidente da Amprev, Jocildo Lemos, é afilhado político do senador David Alcolumbre (União-AP), e Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, integra o Conselho Fiscal da Amprev, levantando preocupações sobre a autonomia e imparcialidade das apurações.

Zema expressou publicamente suas dúvidas, questionando a equidade do sistema legal brasileiro. “A lei vale para todos ou nós temos castas aqui no Brasil onde alguns, como eu sempre tenho falado, são intocáveis? Parece que é mais um [Alcolumbre] intocável aí, que não quer ser investigado, que está inclusive engavetando, está tentando barrar investigações”, afirmou o ex-governador de Minas Gerais. Suas críticas se alinham a uma postura já adotada em sua pré-campanha, onde Zema tem direcionado ataques aos ministros do Supremo Tribunal, rotulando-os como “intocáveis”, especialmente aqueles sob suspeita de conexões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.

Em relação à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, que Zema defende veementemente, ele lamentou a tentativa de obstrução, segundo ele, por parte de diferentes espectros políticos. “Sou totalmente favorável à CPMI do Banco Master, que estão tentando barrar lá, tanto partidos de esquerda quanto de direita, já que tem todo mundo aí que está envolvido. O que nós temos hoje no Brasil, lá em Brasília, é um dando cobertura para o erro do outro. Agora, na hora que nós tivermos um presidente que não tem o rabo preso, aí as coisas começam a mudar”, declarou.

Jocildo Lemos: Alvo de Operação

O contexto das investigações se aprofunda com a revelação de que Jocildo Lemos foi um dos alvos da Operação Zona Cinzenta em fevereiro. A ação também atingiu Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, ambos integrantes do Comitê de Investimentos da Amprev. Eles são apontados como os responsáveis por aprovar os aportes em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, que está em processo de liquidação. Fontes ligadas à investigação indicam que o trio participou de reuniões nos dias 12, 19 e 30 de julho de 2024, onde as decisões de investimento foram tomadas. Tais aprovações ocorreram mesmo diante de alertas internos sobre os altos riscos envolvidos, investigações em curso contra o Banco Master e a falta de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para esse tipo de ativo financeiro, configurando uma potencial negligência com os recursos públicos.

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