CNI vai ao STF contra decisão de Lula que zerou ‘taxa das blusinhas’

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação para derrubar a medida do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que zerou o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.

A ação direta de inconstitucionalidade foi protocolada nesta sexta-feira, 22, após o governo editar, no último dia 12, uma Medida Provisória que eliminou a alíquota de 20% aplicada sobre mercadorias de pequeno valor importadas por pessoas físicas.

Segundo o Estadão, a entidade afirma que a medida prejudica a indústria nacional, ameaça empregos e cria desequilíbrio concorrencial em favor de produtos importados.

CNI vê prejuízo à indústria nacional

Na ação apresentada ao STF, a CNI argumenta que a isenção viola princípios constitucionais como a isonomia e a livre concorrência. A entidade também sustenta que a medida não atende ao requisito de urgência necessário para edição de uma Medida Provisória, especialmente porque já existem projetos sobre o tema em tramitação no Congresso Nacional.

Para a confederação, a redução da alíquota para zero cria tratamento diferenciado às importações de pequeno valor e enfraquece o mercado interno brasileiro.

O diretor jurídico da entidade, Alexandre Vitorino, afirmou que a mudança pode ampliar desigualdades concorrenciais, provocar transferência de renda e empregos para o exterior e gerar renúncia fiscal relevante.

Importações cresceram nos últimos anos

A CNI cita dados oficiais que apontam forte crescimento das importações de pequeno valor na última década. Segundo a entidade, o volume saltou de US$ 800 milhões em 2013 para US$ 13,1 bilhões em 2022.

O número de remessas postais também aumentou significativamente, passando de 70,5 milhões em 2018 para 176,3 milhões em 2022.

A confederação argumenta ainda que a tributação criada em 2024 teria produzido efeitos positivos para a economia brasileira.

Entidade aponta preservação de empregos

Segundo estimativas apresentadas pela CNI, o volume de remessas registradas em 2025 pelo programa Remessa Conforme ficou abaixo do observado no ano anterior, com retração expressiva na comparação entre os primeiros semestres.

A entidade calcula que a manutenção da tributação ajudou a preservar 135 mil empregos e cerca de R$ 19,7 bilhões na economia brasileira.

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