Vorcaro eleva proposta de delação para R$ 60 bilhões após resistência da PF

Foto: Banco Master/Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, elevou de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido em troca de uma colaboração premiada. A mudança ocorreu após a Polícia Federal recusar a proposta inicial de delação. A apuração é do colunista Valdo Cruz, da GloboNews.

Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Paulo Gonet, informou aos advogados de Vorcaro que o aumento no valor não é suficiente. Será necessário também refazer o roteiro da delação, considerado incompleto pela equipe do procurador-geral.

Tanto a PF quanto a PGR avaliaram que a primeira proposta omitiu informações relevantes e não preenche os requisitos para um acordo de colaboração premiada. As duas instituições chegaram à mesma conclusão de forma independente.

A PF rejeitou formalmente a proposta, mas a PGR optou por manter as negociações em aberto. A defesa de Vorcaro acredita que há mais espaço para avançar com o Ministério Público do que com a polícia.

Os advogados do banqueiro argumentam que as primeiras tratativas foram iniciadas diretamente com a equipe de Gonet, antes de a PF entrar no processo após a segunda prisão de Vorcaro. Esse histórico sustenta a avaliação da defesa de que a PGR é a principal via para um acordo.

Assessores de Gonet, por sua vez, indicaram que Vorcaro receberá cobranças rigorosas caso decida, de fato, avançar nas negociações com o Ministério Público. A sinalização indica que a PGR não pretende flexibilizar as exigências sobre o conteúdo da delação.

Caso um acordo seja fechado, caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, homologar os termos e dar a palavra final sobre sua legalidade. Uma decisão do STF de 2024 garante o ressarcimento dos valores à União, com ressalva ao direito das vítimas.

Entre os principais interessados na destinação dos recursos estão o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que desembolsou bilhões para ressarcir investidores do Banco Master, e o Banco de Brasília (BRB), impactado por negociações com a instituição antes do colapso. A divisão dos valores entre os prejudicados será definida pelo Ministério Público e por Mendonça.

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