Governo Lula perde prazo e Espanha solta hackers ladrões de R$800 milhões no Brasil

Uma falha no governo Lula resultou na soltura, por parte da Justiça da Espanha, de suspeitos apontados como os articuladores do maior ataque hacker já registrado contra o sistema financeiro do Brasil.

Tudo porque o governo brasileiro perdeu o prazo para a entrega dos documentos necessários à extradição, os investigados receberam o benefício da liberdade provisória e deixaram a prisão em solo europeu. A omissão burocrática comprometeu a Operação Magna Fraus 2, coordenada pela Polícia Federal.

O prazo fatal para que o governo brasileiro formalizasse o envio da documentação exigida pelas autoridades espanholas expirou no dia 5 de janeiro.

Com o esgotamento do período legal sem a devida manifestação de Brasília, os acusados ganharam a liberdade logo em seguida, em 16 de janeiro.

O caso centraliza-se no megagolpe deflagrado em 30 de junho de 2025, que mirou a estrutura de tecnologia da C&M Software, empresa prestadora de serviços que faz a ponte de comunicação e liquidação de pagamentos entre bancos, fintechs e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) do Banco Central.

Através dessa brecha, os criminosos invadiram contas e desviaram cerca de R$800 milhões de contas mantidas na autarquia.

Entre os beneficiados pelo erro do Executivo brasileiro está Ítalo Jordi Santos Pireneus, conhecido pelo codinome “Breu do Pix” e apontado pelos investigadores como o principal líder do esquema.

Também ganharam liberdade provisória na Espanha outros alvos de alta relevância na hierarquia da organização criminosa, como Henrique Magnavita Lins (o “Russo”), Mateus Medeiros Silva e Wesley do Nascimento Lopes (o “Spider”).

O histórico de fuga dos suspeitos evidencia a complexidade da estrutura que agora se encontra fora das grades.

Apenas cinco dias após coordenar o ataque milionário de dentro de um quarto de hotel na capital federal, “Breu” utilizou um jato fretado para deixar o país a partir de Goiânia, passando por Curitiba até alcançar a Argentina.

Em solo vizinho, obteve um novo passaporte e seguiu para a França e, posteriormente, para a cidade de Valência, na Espanha.

Os demais comparsas, Russo e Spider, evadiram-se do território nacional em julho de 2025 por meio de voos comerciais rumo à Alemanha, deslocando-se depois para a península ibérica.

A engrenagem do crime envolveu ainda a corrupção interna e o uso de tecnologia financeira para ocultação de patrimônio.

A investigação policial confirmou que um operador de tecnologia da própria C&M Software vendeu credenciais confidenciais de acesso ao grupo pelo valor de R$15 mil.

Com o acesso livre, o grupo pulverizou os R$800 milhões em dezenas de contas bancárias e converteu aproximadamente R$600 milhões em criptoativos para dificultar o rastreamento, deixando uma expressiva quantia dos valores desviados ainda sem recuperação.

Deu no Diário do Poder

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