Investigações da Polícia Federal apontam pagamento de R$ 14,2 milhões de um dos fundos ligados ao grupo Refit, de Ricardo Magro, para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP. A informação foi avançada pelo blog do jornalista Fausto macedo, do Estadão.
Ciro Nogueira confirmou o pagamento e disse que a transação decorre da venda de um terreno para construção de distribuidora de combustíveis, de forma regular e declarada às autoridades.
Ricardo Magro dirige o grupo acusado pela Receita Federal de ser o maior devedor contumaz de impostos no Brasil, em total estimado de R$26 bilhões. Ele é investigado por fraudes e sonegação de ICMS no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro .
Um ex-assessor de Ciro Nogueira chegou a ser alvo de busca e apreensão, mas o senador não foi alvo da Sem Refino. No início do maio, ele sofreu busca e apreensão determinada pelo ministro do STF André Mendonça, no âmbito da Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master.
“Na investigação sobre a Refit, a PF analisou a contabilidade de vários fundos e empresas ligadas ao conglomerado de Ricardo Magro”, informa o blog de Fausto Macedo. “Uma dessas empresas, a Athena, dona de imóveis suspeitos de serem operados pelo grupo Refit, recebe pagamentos de fundos ligados ao grupo, como o EUV Gladiator.” e cita a PF ao noticiar que as conexões do fundo chegam até a uma holding no exterior que também pertence ao grupo.
OS R$14,2 milhões foram transferidos pela Athena para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, mas a contabilidade não informa o motivo do pagamento nem dá detalhes sobre o negócio, o que deve ser aprofundado na investigação.
Em nota, Ciro Nogueira afirmou que o pagamento foi devido à venda de um terreno “de forma regular e totalmente declarada aos órgãos competentes”.
Nota de Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado. Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%.O senador Ciro Nogueira manifesta sua total tranquilidade no que se refere a essas e outras insinuações. Ele destaca ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos mencionados, acusações que surgem, estranhamente, em ano eleitoral com a clara intenção de desgastar sua imagem junto ao povo do Piauí.




