Airbus e a Air France foram condenadas, nesta quarta-feira (21), por homicídio culposo corporativo pela queda do voo AF447, que fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris em 2009. O acidente deixou 228 mortos e é considerado o pior desastre aéreo da história da França.
As duas empresas receberam a pena máxima prevista no processo: multa de € 225 mil cada, equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão. O valor é considerado simbólico diante do porte financeiro das companhias.
A decisão ocorre em meio a uma disputa judicial que se arrasta há 17 anos e envolve familiares das vítimas, de diferentes nacionalidades, incluindo brasileiros, franceses e alemães.
Parentes de passageiros acompanharam a leitura do veredito no tribunal. Para parte deles, a condenação representa um reconhecimento de responsabilidade após anos de espera, ainda que sem impacto financeiro proporcional à tragédia.
O acidente
O voo AF447 desapareceu dos radares em 1º de junho de 2009, durante a travessia do Oceano Atlântico, em meio a uma tempestade. A aeronave levava passageiros e tripulantes de 33 nacionalidades.
As caixas-pretas foram encontradas apenas dois anos depois, após uma extensa operação de busca em alto-mar.
Investigações
Relatórios técnicos indicaram que a tripulação perdeu o controle da aeronave após falhas nos sensores de velocidade, que teriam congelado durante o voo, provocando uma sequência de decisões que resultou na perda de sustentação.
A acusação também apontou possíveis falhas de responsabilidade da fabricante e da companhia aérea, como problemas no treinamento de pilotos e na gestão de incidentes anteriores.
Para a condenação, o tribunal considerou necessária a comprovação de negligência e de relação direta entre as falhas e o acidente.
Possíveis recursos
As empresas ainda podem recorrer às instâncias superiores da Justiça francesa, o que pode prolongar o processo por mais tempo.
No sistema jurídico do país, esse tipo de recurso pode levar a uma nova análise completa do caso, com reavaliação das provas já apresentadas.




